Umuarama O número de adolescentes apreendidos, em Umuarama, nos primeiros seis meses deste ano já é 63% maior que o total do ano passado, de acordo com levantamento feito pela Polícia Militar. Em 2002, a PM apreendeu 215 adolescentes por infrações diversas, incluindo as de trânsito. Este ano, já foram mais de 350 apreensões, a maioria por furtos e uso de drogas. Também aumentou o envolvimento de menores em crimes mais graves como o tráfico de drogas e homicídios. A maioria dos 23 assassinatos registrados este ano na cidade foi cometida por adolescentes ou teve a participação de algum menor.
O comandante da 2 Companhia da PM, em Umuarama, capitão Marcelo Figueiredo, atribui o aumento da criminalidade entre os adolescentes à falta de punição. ''Eles estão praticando mais delitos porque sabem que não ficarão internados'', disse. A unidade de internamento do Serviço de Atendimento Social (SAS) está fechada desde janeiro, quando o governo do Estado suspendeu o repasse de verbas para sua manutenção. Sem ter para onde encaminhar os adolescentes, a polícia, o Conselho Tutelar e Juizado Especial da Infância e Juventude liberam os infratores, entregando-os aos pais.
Somente nos casos mais graves alguns adolescentes tem sido mantidos no mini-presídio, apesar de contrariar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Até ontem, oito meninos e uma menina estavam recolhidos na 7 Subdivisão Policial (SDP), alguns há mais de três meses. Os meninos ficam numa cela separada mas, por falta de espaço, a adolescente é obrigada a ficar junto com as presas adultas, o que é proibido pelo estatuto.
''Existem casos em que os adolescentes precisam ficar internados e somos obrigados a mantê-los no mini-presídio enquanto tentamos vagas em instituições de fora, o que é difícil de conseguir'', reclama a juíza da Infância e Juventude, Zilda Romero. Segundo ela, o problema só será resolvido quando o SAS voltar a funcionar.
O Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) não esclareceu o motivo do cancelamento do convênio, através do qual o governo e a prefeitura dividiam as despesas mensais de manutenção da unidade de internamento, de aproximadamente R$ 15 mil mensais. O presidente do IASP, José Wilson de Souza, disse que o convênio foi cancelado pela diretoria anterior. Para renovar a parceria, o governo exigiu que uma entidade filantrópica assumisse a administração do SAS.
A Associação de Recuperação e Assistência ao Menor (Aram), responsável pela Guarda Mirim de Umuarama, encaminhou projeto ao Iasp e aguarda resposta. Souza disse que o projeto atrasou porque faltaram documentos. ''Agora está tudo ok e aguardamos apenas a liberação do orçamento para encaminhar a assinatura do convênio.'' O presidente do IASP acredita que o convênio poderá ser assinado em 30 dias. Como o funcionamento da unidade ainda depende da contratação de funcionários, é possível que leve mais dois ou três meses para reabrir.

mockup