O número de pessoas interessadas em adotar crianças aumentou no Paraná no último ano. Apesar de não ter estatísticas oficiais sobre o assunto, a psicóloga e presidente do ‘‘Projeto Recriar, Família e Adoção’’, da Universidade Federal do Paraná, Lúcia Helena Kossobudzki, afirma que o número de participantes do programa cresceu desde a primeira reunião, realizada em novembro do ano passado. ‘‘O preconceito e o estigma em torno da adoção estão menores’’, diz.
A psicóloga acredita que o interesse pela adoção vem aumentando porque o processo de convivência familiar está sendo desmistificado. ‘‘Durante as reuniões, mostramos que uma criança adotada é um filho igual a qualquer outro, independente de ter ou não laços sanguíneos com os pais’’, diz. Segundo o último levantamento feito pela Vara de Adoção, existem aproximadamente 1.300 crianças aguardando ser adotadas no Estado.
O perfil das pessoas que procuram a adoção, segundo dados reunidos pela coordenadora do projeto, não sofreu alteração nos últimos anos. Os interessados costumam ser casais da classe média, geralmente sem filhos e com preferência por crianças de cor clara. Com base nestas informações, uma nova etapa do Projeto Recriar pretende incentivar também a adoção de crianças já crescidas e de qualquer origem racial. ‘‘Adotar um filho não é como escolher um produto, em que a cor é uma questão fundamental’’, diz.
Desde que foi criado, no ano passado, o Projeto Recriar já atendeu mais de 300 pessoas em busca de informações sobre a adoção. A maior parte dos casais tem dúvidas sobre quais procedimentos legais devem ser seguidos no momento de adotar uma criança e quando contar a ela sua verdadeira ligação com a nova família.

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