A proximidade do Natal aumenta a circulação de índios caingangues em Londrina. Mensalmente, são emitidas cerca de 20 portarias autorizando famílias indígenas da reserva do Apucaraninha a permanecer na cidade, mas nesta época do ano, o número sobe para cerca de 50 famílias, que procuram a zona urbana para aumentar seus rendimentos.
Segundo a antropóloga Marlene de Oliveira, coordenadora do programa de atendimento aos caingangues da Secretaria Municipal da Ação Social, o fenômeno acontece porque os índios perceberam que no Natal os brancos ficam mais solidários, aumentando as doações de comida e presentes. Nesta época, também, aumentam as oportunidades de negociar balaios e peças artesanais manufaturadas na aldeia, que são vendidos ou trocados por roupas e outros bens de consumo.
O índio Adilson Luís, 31 anos, estava no Centro Cultural Caingangue há 15 dias e se preparava para voltar a Apucaraninha ontem, acompanhado da mulher e cinco filhos. ‘‘Esse ano não foi muito bom, sobrou muito balaio que vou deixar aqui para ser vendido. Lá na aldeia a gente planta comida, mas precisa do dinheiro para comprar roupas, sal e banha’’, explicou.
Ele também contou que era mais fácil ganhar presentes quando o Centro não existia e eles se acomodavam em barracas de lona na beira do Ribeirão Cambezinho. ‘‘Quando a gente ficava embaixo da lona, as pessoas traziam mais comida e roupas para as crianças. Agora, pensam que não precisa’’, disse.
A proximidade com os brancos também inseriu entre os índios o sentido religioso das comemorações natalinas. Marlene informou que eles não festejam como os ocidentais, mas também aproveitam a oportunidade para celebrar em família. ‘‘É a data em que eles fazem frango com macarrão e vestem uma roupa melhor, cada um em sua casa. Mas para muitos, não passa de um dia comum.’’
Inaugurado em 19 de abril do ano passado, o Centro Cultural Caingangue foi projetado para receber os índios que moram na reserva do Apucaraninha e vêm à cidade vender artesanato. Também tem o objetivo de oferecer à comunidade um espaço onde seja possível conhecer a cultura indígena, através da exposição de produtos artesanais, cartões-postais, fotografias e bibliografia referente ao assunto, inclusive com itens disponíveis para venda. Funciona diariamente das 8 às 17 horas, o centro recebe poucos visitantes.

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