Está aumentando o número de doações de órgãos na região de Londrina. A boa notícia foi constatada pela Central Regional Norte de Transplantes, em levantamento feito nos três primeiros meses do ano. Os números foram comparados aos do primeiro trimestre de 98. O balanço só pôde ser feito em relação a esses meses porque a Central - que atende 98 municípios - foi instalada no final de 97, começando a atuar de fato só no início do ano seguinte.
Segundo a coordenadora geral da instituição, Elza de Lara Bezerra, o aumento nas doações de córnea foi de 60%. ‘‘Enquanto nos primeiros meses de 98 foram transplantados nove pacientes, em 99, nesta mesma época, foram feitos 15 transplantes.’’ Quanto às doações de fígado (que tem todas as captações encaminhadas para Curitiba), o aumento foi de zero para quatro, no mesmo período.
Os transplantes de coração diminuíram em 99 (de dois para zero), mas a coordenadora da Regional explica que isso ocorreu porque os corações captados aqui tiveram que ser encaminhados a Curitiba por não haver receptor compatível na região. Apenas em relação aos rins as doações sofreram um decréscimo de 33,4%. No ano passado, foram feitas três doações (oferecendo, portanto, seis órgãos para serem transplantados), enquanto nos primeiros meses de 99 houve duas doações.
Elza Bezerra observa que, apesar dos índices animadores, a fila de espera para transplante ainda é muito grande. ‘‘Ainda falta à população maior consciência da importância das doações’’, diz ela, lembrando que é preciso esclarecer a comunidade sobre diagnóstico de morte encefálica e sobre alguns mitos. ‘‘Muita gente ainda acredita que a morte só ocorre quando o coração pára de bater.’’
Desde o início do ano passado, as carteiras de habilitação passaram a ser expedidas contendo a opção do motorista de ser ou não um doador de órgãos. Mas isso, na opinião da coordenadora da Regional, não é tão importante quanto à discussão do assunto dentro da casa de cada um. ‘‘O mais importante é que a própria família conheça o desejo da vítima, porque são os parentes que serão consultados sobre a possibilidade de retirada de qualquer órgão’’, lembra Elza.
Ela observa que a lei sancionada pelo governo em fevereiro de 97, considerando como potencial doador todo e qualquer indivíduo, desde que ele não tenha se manifestado contrário, gerou revolta na população. Em protesto, muita gente se declarou contrária à doação de órgãos, na carteira de habilitação. Isso aconteceu, de acordo com Elza Bezerra, pela má divulgação e falta de preparo da população para o assunto. Agora, segundo ela, já existem pessoas mudando a sua opção na carteira.
A coordenadora da Central Regional Norte de Transplantes informa que desde que a instituição entrou em funcionamento, não houve perda de nenhum órgão por trâmites burocráticos. Ela lembra que houve um caso recente de homicídio, em que foi divulgado que a família doou os órgãos da vítima mas só as córneas puderam ser aproveitadas pela demora nos trâmites burocráticos. ‘‘Mas não foi bem isso. Com exceção das córneas, os órgãos só podem ser transplantados se a morte instantânea acontecer dentro de uma unidade hospitalar.’’

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