Aumenta número de carros usados para contrabando
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Mariana Guerin<br>Equipe da Folha 
Londrina - Este é um ano de mudanças no perfil do transporte de mercadorias que chegam de forma irregular ao País. Conforme dados da Receita Federal, aumentou o número de veículos de passeio usados em crimes de contrabando e descaminho: 84 carros já foram apreendidos até setembro deste ano, contra 29 em todo o ano passado, só na região de Londrina. Também foram retirados de circulação 12 caminhões e 20 ônibus.
Até setembro foram confiscados R$ 4,8 milhões em mercadorias encontradas em automóveis, o que gerou R$ 13,8 milhões em multas da delegacia da Receita em Londrina. Só em Foz do Iguaçu (Extremo Oeste) quase 5 mil carros foram apreendidos no mesmo período do ano.
Segundo o delegado da Receita Federal em Londrina, Sergio Nunes, antigamente eram comuns comboios de ônibus que vinham de Foz. "Muitos ônibus foram apreendidos, minando a logística dos criminosos", lembrou o delegado, reforçando que os comboios "foram extintos".
"Mudou também a estratégia de combate com a migração para outro modelo de transporte, pois na fronteira, os ônibus eram mais fáceis de serem identificados que os veículos de passeio", completou Nunes, informando que, hoje, é comum a mercadoria chegar em um ônibus e ser distribuída para diversos carros de passeio, com o intuito de despistar a fiscalização. "São vários os pontos de apoio dos criminosos, entre eles, postos de combustíveis", citou.
"Há uma exigência dos órgãos fiscalizadores por equipes disseminadas, mas o esforço do bandido também aumentou", opinou o delegado, lembrando que nem tudo o que é apreendido pela delegacia da Receita Federal local tem Londrina como destino final. "A região é um importante corredor de passagem."
Conforme Sergio Nunes, o carro-chefe das apreensões ainda é cigarro, mas a Receita também destaca produtos de bazar, informática, eletrônicos, brinquedos e bebidas. CDs e DVDs virgens foram um dos itens de maior apreensão até setembro deste ano, totalizando 415.457 unidades. "Muitos criam compartimentos no veículo para esconder a mercadoria, outros preferem arriscar levando o conteúdo irregular no porta-malas mesmo. Tem de tudo."
Tanto os veículos como as mercadorias, quando apreendidos, são autuados e o dono tem um prazo para apresentar sua defesa. "Se o dono não teve êxito, é declarado perdimento para a União e o objeto é passível de doação para órgãos públicos ou assistenciais ou ainda vai a leilão", explicou o delegado.
Segundo ele, o foco da Receita nunca é o turista e sim os grandes contrabandistas, "por isso é comum acontecerem apreensões de frotas de carros que são utilizados por um mesmo grupo", declarou Nunes. Para ele, apesar de conhecer as táticas dos contrabandistas, a batalha não está totalmente vencida pelos órgãos fiscalizadores.
"A criatividade ainda é muito grande. Em Foz, motos já estão sendo utilizadas no transporte de mercadorias irregulares", apontou Nunes, ressaltando que as operações realizadas na fronteira não combatem somente o descaminho e o contrabando, mas também o tráfico de drogas e armas.
"Só a repressão não vence o desafio, é preciso educar a população contra a pirataria, que traz efeitos nocivos para a economia nacional", comentou Nunes, assinalando que a fiscalização não envolve apenas o trabalho da Receita Federal, mas é uma operação conjunta com as polícias federal, rodoviária e militar e alguns casos, com a Receita Estadual.


