Há 19 dias não chove em Londrina e as consequências deste período de estiagem começam a surgir no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) de Londrina. Ontem, no feriado do Dia do Trabalhador, foi possível encontrar muitas crianças com problemas no quadro respiratório.
"Semana passada eu estive aqui porque ele estava com início de broncopneumonia e agora, ele começou a reclamar de dores no ouvido e garganta. É só mudar o tempo, ficar esse clima seco, que ele sofre", conta Carla Barbosa de Lima, mãe de Miguel, de 2 anos.
Luis Gustavo, de apenas 5 meses, precisou fazer inalação por conta de uma forte tosse e falta de ar. "Ele começou a tossir e ter febre há cinco dias. Eu acho que é por causa do tempo. Não chove há um bom tempo", declara a mãe, Cleonice Cristino.
Também na sala de inalação estava Habacuque Samuel, de 8 meses. A mãe Ane Evelyn procurou atendimento médico quando o filho apresentou febre, tosse e dificuldades para respirar. "Vou aguardar um exame de raio-X do pulmão para sabermos certinho o que ele tem", diz.
De acordo com o diretor clínico do PAI, Mohamed El Kadre, a procura por consultas aumentou consideravelmente nas últimas semanas. "A média subiu cerca de 50%, passando para 300 consultas ao dia. No mês de março, tivemos um total aproximado de 8,3 mil atendimentos e em abril esse número já passou de 9 mil. Desse total de atendimentos, podemos afirmar que 70% são relacionados ao quadro respiratório", contabiliza.
Diante desta situação, o médico orienta sobre alguns cuidados básicos. Ele explica que os locais devem estar sempre arejados, com ventilação. "As mãos devem ser higienizadas várias vezes ao dia e deve-se ingerir bastante líquido. Além disso, é importante se vestir apropriadamente principalmente neste período onde se tem uma variação brusca nas temperaturas ao longo do dia", salienta.

Sem previsão
O meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar, Tarcisio Valentin da Costa, comenta que o último registro de chuva em Londrina foi no dia 13 de abril. "É um período de estiagem prolongada, apesar de ser comum entre os meses de abril e junho. Como não há nenhuma massa de ar frio em grande escala sobre a região, os próximos dias deve permanecer secos. Até domingo não deve chover e a umidade relativa do ar vai continuar baixa", observa.
De acordo com ele, o mês de abril chegou a registrar umidade mínima de 48%. Porém, ao contrário dos últimos dias, quando os londrinenses tiveram dias com grandes amplitudes térmicas, essa situação provavelmente mudará na semana que vem, com uma onda de frio.

Bombeiros
A notícia de que não há previsão de chuva para os próximos dias também preocupa o Corpo de Bombeiros em relação ao risco de queimadas. No relatório do 3° Grupamento de Londrina, houve um aumento de 50% nas ocorrências de combate a incêndio. Se em março foram registradas 16 ocorrências, esse número passou para 32 no último mês.
O tenente Rodrigo da Costa afirma que a condição climática aumenta os riscos e orienta a população a não fazer queimadas, principalmente de lixo, que além de ser perigoso é uma prática ilegal. "Tem muita gente que dispensa bituca de cigarro próximo a matagais, como em rodovias. Isso é extremamente perigoso porque o clima está seco e com o vento as chamas podem se propagar rapidamente", ressalta ele, ao reforçar que a população deve colaborar na prevenção de incêndios, "pois nem sempre podemos atender toda a demanda. É preciso priorizar aquelas que ofereçam grande risco ou que sejam mais urgentes", justifica.

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