O grande número de apreensões de rede nos rios preocupa a equipe da Polícia Ambiental -Força Verde, que intensificou a fiscalização em função da piracema (período de desova dos peixes). Esse tipo de equipamento é prejudicial porque facilita não só a captura de uma grande quantidade de peixes, mas também de variedade.
Em 2006 foram apreendidos 16,4 mil metros de redes no estado todo. Já em 2007 foram 48 mil e em 2008 o número subiu para 54 mil metros. O relações públicas da 2 Companhia de Polícia Ambiental, soldado Willian Fabiano, explica que muitos insistem em utilizar também o espinhel, espécie de ''varal'' com diversos anzóis e iscas penduradas que os pescadores vão passando pelo rio capturando de uma só vez uma grande quantidade de peixes.
''Atribuímos o aumento à falta de peixes. Os pescadores usam a rede para tentar recolher o maior número possível. Encontramos redes com aberturas de poucos centímetros, fazendo com que muitos peixes menores sejam capturados'', observa. A piracema vai até 27 de fevereiro, quando os pescadores, amadores ou profissionais, só podem pescar em reservatórios com linha de mão ou vara e molinetes simples.
A equipe da FOLHA acompanhou uma manhã de trabalho dos policiais, que chegam nas margens das represas antes de amanhecer para conseguirem flagrar pescadores. Depois de colocarem coletes e equipamentos no barco, a equipe dá início às buscas. No caso da 2 Companhia, a polícia atua em 210 municípios. A equipe trabalha em rios como Tibagi, Ivaí, Paranapanema, Vermelho, Cinza e Piquiri. A reportagem esteve com os policiais na Represa Capivara, em Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), onde diversos pescadores foram abordados para esclarecimentos.
Utilizando uma igaratéia - espécie de gancho que é arrastado no fundo do rio para encontrar redes - os policiais vão margeando os rios e abordando os pescadores. O sargento Odair Guimarães explica que muitos pescadores jogam suas redes num ponto do rio e observam em outro ponto para não serem flagrados. ''Eles ficam no outro lado observando, por isso encontramos redes mas temos dificuldade de localizar o dono delas. Quando chegamos bem cedo, é muito comum abordarmos eles ainda jogando a rede'', diz.
Naquela madrugada uma outra equipe conseguiu apreender mais de 600 metros de rede numa só autuação quando 30 pessoas pescavam no Rio Tibagi, em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). De acordo com o soldado Willian, além da rede, foram apreendidos 700 metros de espinhel, anzóis, bóias, dez quilos de peixes congelados e pelo menos 50 quilos de peixes vivos.
Todos os anos, pelo menos 15 dias antes da Operação ser iniciada, a polícia percorre os rios levando informações aos pescadores num trabalho de conscientização. ''Nessa época intensificamos também as patrulhas para flagrar contrabandistas e caçadores que se aproveitam do verão para abaterem, caçar e capturar animais silvestres. Em relação à pesca predatória, a multa gira entre R$ 300 a R$ 10 mil, além de detenção de um a três anos dependendo de cada caso.''

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