O coeficiente de mortalidade infantil aumentou em Londrina em 2003, passando de 10,98 mortes de menores de um ano por mil nascidos vivos (em 2002) para 12,09 no ano passado. Em 2003 foram registrados 82 óbitos infantis. Os números foram divulgados ontem pela secretaria municipal de Saúde. O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, garante que não é motivo de preocupação.
Ele explicou que, nos últimos anos, a tendência foi de queda da mortalidade infantil e que desde 1990, quando o coeficiente era de 22,2 mortes por mil nascidos vivos, houve uma redução de quase 54% do índice na cidade. Mesmo assim, Londrina teve um desempenho bem diferente de Maringá, que baixou o índice de 14,28, em 2002, para 8,87, em 2003. No Paraná, o coeficiente de mortalidade infantil é de 16,27 e, no Brasil, a taxa é de 30 mortes por mil nascidos vivos.
Um dos principais fatores que colaboraram para o aumento do coeficiente de mortalidade infantil, segundo Fernandes, foram os óbitos em gestação múltipla. Segundo o Núcleo de Informações em Mortalidade (NIM), foram registrados 13 casos de mortes decorrentes de gestação múltipla um caso de quíntuplos e quatro de gêmeos. Fernandes explicou que, nas gestações múltiplas, há um maior risco de os bebês nascerem prematuros e com baixo peso, daí um maior risco de mortalidade.
Nos casos de gestações múltiplas, assim como de malformações congênitas, deformidades e anomalias, explicou o secretário, não há como a saúde pública agir. No ano passado, em Londrina, foram registrados 82 óbitos infantis, sendo 53 no período neonatal (até o 28º dia de vida) e 29 pós-neonatal (do 28º dia a um ano de idade). As doenças originadas no período perinatal (período imediatamente anterior e posterior ao parto) foram responsáveis por 65% do total de óbitos em menores de um ano, seguido pelas malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas com 13,8% dos óbitos. ''A saúde pública deve agir nas situações que exigem um melhor acompanhamento pré-natal, caso das gestantes de risco, por exemplo, e para garantir vagas em unidades de terapia intensiva (UTI) neonatais'', afirmou.
Fernandes afirmou que Londrina, ao contrário de Maringá, tem 80 mil pessoas vivendo em situação de risco social, o que teria colaborado para a grande diferença no coeficiente. O secretário também questionou a validade de colocar mães e filhos em risco no caso de gestações múltiplas. ''Não é bom para a mãe ter gêmeos, trigêmios, quadrigêmeos, e para as crianças, submetidas a riscos. A sociedade tem que discutir esses métodos de fertilização que colocam mãe e filho em risco'', disse.

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