Luciana Pombo
De Curitiba
Os sequestros rápidos seguidos de assalto estão se tornando rotina nos principais cruzamentos de Curitiba. Os distritos policiais e a Delegacia de Furtos e Roubos da cidade registram, toda a semana, este tipo de ocorrência. Mas segundo o delegado titular da Furtos e Roubos, Jorge Azor Pinto, não existem números oficiais. ‘‘Não fazemos este tipo de balanço, cada distrito registra sua ocorrência e não centralizamos os dados’’, justifica ele. Já a Polícia Militar notifica os casos, mas como nem todas as pessoas denunciam as ocorrências, os números não mostram a realidade. O último levantamento feito pela Central de Estatística da PM mostra que em maio aconteceram apenas dois assaltos relâmpagos na cidade.
Geralmente, a abordagem dos assaltantes é feita por apenas uma pessoa pelo lado do passageiro. Outros dois ou três jovens se aproximam, rendem o motorista e o obrigam a dar voltas pela cidade que podem durar entre uma hora e meia a quatro horas. ‘‘São momentos traumatizantes’’, afirma a comerciante M.G.M., de 45 anos. Ela foi obrigada a permanecer por duas horas e meia na companhia de quatro jovens, com idades entre 18 e 25 anos. Carioca, a comerciante nunca pensou que fosse assaltada em Curitiba. ‘‘Eu tive a roupa rasgada por um deles, que pensou que eu iria fugir, mas não reagi para não ser morta’’, conta.
Com medo de ser identificada pelos assaltantes, M.G.M. não quis que o seu nome ou fotografia fossem divulgados. ‘‘No assalto, eles levaram tudo o que eu tinha, desde o pagamento dos funcionários até o meu celular, minha bolsa e meu carro’’, lembra. A comerciante foi deixada num local afastado, na Rodovia dos Minérios, e teve que andar por vinte minutos para encontrar uma casa e pedir ajuda.
Agora, a comerciante está vigilante. Ela nunca pára o carro na área dos semáforos, olha para todos os lados e tenta identificar possíveis assaltantes. Seu método é ir dirigindo lentamente até que o sinaleiro fique verde. ‘‘Estes dias acho que me livrei de um novo assalto por causa disso’’, diz. Nas imediações do Shopping Curitiba, ela percebeu que um rapaz estava parado no sinaleiro e começou a andar para o meio da rua quando o sinal fechou. Ela não se aproximou e logo depois avistou outros três jovens do outro lado da rua. ‘‘Estou muito atenta a tudo e a todos porque viver um assalto como este é traumático, a gente fica no limite entre a vida e a morte’’, diz ela. ‘‘Eu só conseguia pensar nos meus três filhos e estava completamente indefesa, sem ter como reagir.’’
Experiência semelhante foi vivida pelo bancário N.P., de 29 anos. Na semana passada, ele foi abordado por três rapazes na esquina das ruas Brigadeiro Franco com Presidente Kennedy. Ele conseguiu ver dois revólveres, um estava apontado para a sua barriga durante todo o sequestro, que durou quase três horas. ‘‘Tive medo durante todo o tempo, pensava que poderia morrer a todo o instante e via que eles também estavam com medo’’, diz.
O bancário tentou levar os assaltantes para um caixa eletrônico que tivesse camêra de vídeo, mas foi inútil. Eles foram até o caixa que fica dentro do hipermercado Carrefour Champagnat e conseguiram retirar R$ 600,00. Além do dinheiro, eles levaram cartões de crédito, talões de cheque, vales-alimentação, raquetes de tênis e um aparelho de CD. ‘‘Acho que tive sorte e os assaltantes me deixaram ir embora com o carro, nas proximidades do CIC. Na hora não quis ver se eles iriam fugir a pé ou se tinham um outro carro esperando por eles e tratei de sair de lá sem olhar para trás’’, contou ele.
Atualmente, o bancário não pára nos sinais vermelhos. Traumatizado, ele fica com a marcha sempre engatada para se proteger. ‘‘Se alguém se aproximar de mim eu furo o sinal, mesmo que perca meu carro’’, afirmou ele, ‘‘não quero ter que passar por tudo outra vez.’’

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