Aumenta interesse de gays por adoção
A promotora da Vara de Infância e Juventude de Londrina, Edina Maria de Paula, garante que não há discriminação no encaminhamento dado aos processos de adoção e que a orientação sexual não embaza as decisões da Justiça para deferir ou indeferir nenhum pedido.
Em Londrina, o Ministério Público não dispõe de estatísticas mas aponta que foi perceptível nos últimos meses o aumento do interesse de homossexuais principalmente homens em se tornarem pais adotivos. Pelos menos dois gays procuraram a Justiça em busca de informações sobre como poderiam se tornar pais adotivos.
A preocupação da Justiça, segundo a promotora, é resguardar o bem-estar da criança disponível para adoção, assegurando que elas tenham condições de serem criadas ''com afeto, carinho e em um ambiente saudável''. ''Quando se faz a opção pela adoção, é preciso ter noção de que isso é um projeto humanitário para quem está sendo adotado. É o maior ato de amor que eu conheço'', completa. ''Eu mesma já dei pareceres favoráveis à homossexuais'', revela.
Édina entende que os preconceitos existentes na sociedade também estão presentes nos processos, mas assegura que tanto os promotores quanto os juízes não julgam os casos de adoção com base no que pensa a sociedade nem se prendem exclusivamente a laudos e pareceres dos técnicos que avaliam os candidatos que buscam habilitar-se à adoção.
A afirmação da promotora reflete o que pensam a assistente social Cláudia Maria Ferreira e a psicóloga Ana Paula Cruz de Queiroz, que trabalham na Vara da Infância e Juventude. ''É uma tendência, o homossexual não vai ser excluído por isso mas é uma situação a mais que precisa ser avaliada'', diz Ana Paula. ''Acho que existem discussões e a sociedade tem buscado analisar com um outro olhar, mas o preconceito ainda existe'', completa Cláudia. Ambas, porém, destacam a importância de ouvir também quem está sendo adotado nestas situações, já que ''em qualquer tipo de adoção a prioridade é sempre da criança''.
Quanto à morosidade nos processos de adoção, a promotora e as assistentes do Ministério Público justificam que o problema está em grande parte ligado à demora na destituição do pátrio poder dos pais biológicos. ''A Justiça perde muito tempo instruindo o processo'', alega Édina. Hoje, um casal ou uma pessoa habilitada espera, em média, três anos até concretizar o sonho de ter um filho.
LEIA AMANHÃ: as crianças que estão à espera de uma família





