Aumenta em 40% o número de idosos inscritos no Enem
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quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina Aos 63 anos, Antônio Carlos Teixeira encarou um novo desafio para recuperar a autoestima. O aposentado voltou a estudar após 35 anos longe das salas de aula e agora pretende cursar História na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Mudanças na vida pessoal do técnico em contabilidade fizeram com que ele retomasse a paixão pelos livros. "Tive um divórcio doloroso, me mudei para Londrina e não queria ficar em frente à TV vendo a vida passar", contou.
Antes do início das aulas em um curso pré-vestibular, ele decidiu se matricular em um curso supletivo oferecido por meio do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). "Eu já tinha terminado o Ensino Médio, mas não lembrava de muita coisa. Achei que era importante saber o básico antes de voltar a estudar firme", explicou. Apesar da formação técnica em contabilidade, as ciências humanas sempre fascinaram o aposentado.
"Meu primeiro dia no cursinho foi difícil. Eu cheguei, sentei na primeira fileira e não olhei para trás. Tinha mais ou menos uns 150 jovens em volta e só eu era mais velho. Era constrangedor. Nos primeiros meses eu ficava muito deprimido. Eu quase desisti, mas depois fiz amizade com algumas pessoas que me ajudaram a continuar", relatou Antônio.
Tímido e simpático, o aposentado venceu as barreiras pessoais e até o medo de ser entrevistado. Ele disse estar preparado para encarar as 180 questões do Enem, além da redação. "Já fiz as provas outras vezes. Acho mais fácil fazer o Enem que o vestibular da UEL", confessou.
No total, 8,7 milhões de candidatos se inscreveram para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio. Além de Antônio, 15.501 candidatos com 60 anos ou mais devem fazer o Enem nos dias 8 e 9 de novembro. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de candidatos inscritos nessa faixa etária aumentou 40,9% de 2013 para 2014. No ano passado, 10.997 idosos se inscreveram para fazer as provas. Em 2012, esse número chegou a 8.352.
TREINAMENTO
O exame é aceito em modalidades de processo seletivo adotadas por diversas instituições de ensino técnico e superior em todo o país e também pode ser utilizado para solicitar financiamentos estudantis. A UEL considera o desempenho dos estudantes no Enem durante a seleção de alunos para as vagas que não são preenchidas mesmo após a realização do vestibular.
O aposentado, que estuda no Curso Sigma, encara o Enem como um treinamento para o vestibular da UEL. De acordo com a assessoria de imprensa da universidade, há apenas nove pessoas acima de 60 anos inscritas no processo seletivo de 2015.
"As pessoas me perguntam: o que você vai fazer com cursinho e vestibular? Eu digo que quero manter a mente ocupada e aprender muito. Ninguém perde tempo por aprender mais sobre cultura e história. Certos idosos não conseguem voltar a estudar por problemas que eu passei e ainda passo. As pessoas ficam comentando. Parece uma coisa proibida. Acho que é possível dar uma abertura maior para quem é mais velho, para que eles participem de algumas aulas antes de começar a estudar mesmo. Eu não estou correndo atrás do prejuízo. Você amplia sua cabeça quando volta a estudar e tem contato com novas ideias. Só com o estudo você vai entendendo melhor como as ações do homem vão gerando consequências mais graves lá na frente. Você vê como está hoje o aquecimento global?", argumentou.


