Curitiba - Se em tempos normais a Central de Resgate Social abriga 150 pessoas em situação de rua, nos últimos dias, com o frio, esse número subiu para 230. ''Na maioria das vezes é coisa simples, só precisam de uma higienização ou um encaminhamento para fazer documentos'', diz a coordenadora da Central, Roseli Carvalho Muraski, que conta com um grupo de 73 educadores e 15 assistentes sociais.
Ligada à Fundação de Ação Social (FAS), a equipe por vezes anda a pé, se alternando em turnos que totalizam as 24 horas do dia, sete dias por semana. Para o transporte, a central tem 17 Kombis, que auxiliam na busca de moradores de rua com necessidade de ajuda. ''Muitos são pessoas que vêm de fora do Estado ou mesmo da Região Metropolitana'', explica Roseli.
No ano passado, a central realizou 55.465 albergagens. Ao passar a noite na central ou em uma das entidades filiadas, o usuário do sistema tem direito à janta (sopa) e café da manhã (pão com manteiga ou queijo). O interessado em usufruir do espaço pode se dirigir diretamente à sede na Rua Conselheiro Laurindo, 792, ou ligar para o 156 e solicitar transporte. Em 2007, o serviço telefônico gratuito recebeu 14.948 solicitações direcionadas à Central.
Entre as solicitações estão os pedidos de passagens de retorno para cidade de origem no interior ou fora do Estado ou mesmo de translados para municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Apoio que a FAS concede em convênio com empresas de ônibus. Na Rodoviária de Curitiba, funciona a Casa da Acolhida e do Regresso, que auxilia nesse processo.
Sopa sim, assistencialismo não
Uma das maiores preocupações dos profissionais que trabalham na área social é de que o seu serviço seja visto apenas como assistencialismo, sem resultados a longo prazo. Esse é um dos questionamentos de Maria Angélica Palazzo Dias, 51 anos de idade e 27 dedicados à área social na prefeitura da cidade.
Com a colaboração de nove ONGs, Maria Angélica está fazendo um trabalho que envolve servir sopa para 150 a 200 pessoas por noite. ''Mas para receber esse benefício, eles têm de dar uma contrapartida, participando de alguma das atividades da casa, como a oficina de violão ou de artesanato.'' Ela fala da Casa de Convivência João Dorvalino Borba, que funciona no número 1.207 da Rua Westphalen desde dezembro. Maria Angélica supervisiona o Núcleo de Assistência Social da Regional da Matriz, que engloba 18 bairros do entorno do Centro.
O trabalho, já desenvolvido em outro espaço desde 2006, surgiu da necessidade de se ter um local adequado para o consumo de alimento. ''Essas organizações ofereciam a sopa na Praça Tiradentes, mas era muito confuso e dava até briga, pois não havia um lugar bom para se comer.'' As Ongs, todas ligadas a diferentes religiões, entram com os alimentos, que conseguem através de doações, e a FAS com o espaço e a orientação social. ''A aceitação é difícil, pois a maioria é dependente químico. A alimentação é apenas o instrumento que encontramos para fazer um trabalho educativo.''
Serviço - A sopa é oferecida diariamente a partir das 18h. Os telefones de contato da Casa de Convivência João Dorvalino Borba são (41)3224-1784 e 3222-6878.

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