Aumenta 'concorrência' entre cidades
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quinta-feira, 02 de outubro de 2008
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Há 40 anos, Londrina ocupava a posição de sexta maior cidade do Brasil em termos populacionais, considerando apenas as que não são capitais. Uma matéria publicada na FOLHA da época - quando a cidade ainda ostentava o título de ''capital mundial do café'' - revelava que, com apenas 34 anos, Londrina já somava 209.651 habitantes.
Quatro décadas depois, com população estimada de 505.184 habitantes, de acordo com dados do IBGE, o município passou a ocupar a 17 posição no ranking. Mas, ao contrário do que parece, a queda não significa que a cidade tenha deixado de crescer ou que tenha se desenvolvido menos que os municípios ocupantes dos primeiros lugares da lista.
Para Tânia Maria Fresca, professora-doutora do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a mudança do ranking indica principalmente o desenvolvimento acentuado de outras cidades. ''O que existe hoje são mais cidades atrativas'', explicou.
Segundo ela, no final dos anos 60, o Sul e o Sudeste eram as duas regiões mais importantes do País. Nos últimos 40 anos, entretanto, a intensificação do meio técnico-científico-informacional possibilitou o desenvolvimento de outras regiões, a exemplo do que ocorreu no período pós-Segunda Guerra Mundial em diversos países.
A explicação da professora justifica a presença de cidades como Jaboatão dos Guararapes (PE), Feira de Santana (BA) e Ananindeua (PA) na lista dos vinte municípios com maior população. ''Em 40 anos houve a expansão das atividades econômicas para o resto do País'', afirmou, lembrando que esse processo decorre da disseminação acentuada de atividades produtoras carregadas de ciência e tecnologia para outras áreas.
A região Centro-Oeste, o Vale do São Francisco (no Nordeste) e o Sudoeste da Bahia são exemplos de locais que vivenciaram grande desenvolvimento nas últimas décadas. ''Londrina passou por esse processo em uma fase anterior, impulsionada pela cafeicultura'', disse.
Tânia esclareceu também que o crescimento da população é um indicativo importante sobre o desenvolvimento das cidades. ''O aumento da população significa o aumento de trabalhadores e consumidores'', explicou.
Apesar da queda no ranking, a população de Londrina mais que dobrou de tamanho em 40 anos. ''A cidade continua sendo atrativa para investimentos, mas em áreas diferentes''. A expansão industrial, por exemplo, começou a tomar forma a partir de 1990, com a instalação de algumas grandes empresas e o desenvolvimento de várias pequenas indústrias.
Outro setor de boas oportunidades é o de softwares, que apesar de não atrair grande quantidade de trabalhadores, exige mão-de-obra qualificada com maior possibilidade de remuneração e, consequentemente, maior poder de consumo.
A professora enfatizou que o desenvolvimento de setores como construção civil, shoppings-centers e a rede hoteleira também indicam crescimento, pois só investe-se em novos empreendimentos quando há demanda.


