Giovani Ferreira
As ocorrências registradas pela Polícia Militar nos quatro primeiros meses deste ano, revelam um crescimento da violência em Curitiba e região metropolitana. Em comparação ao mesmo período de 1998, o total de atendimentos feitos pela PM este ano cresceu em aproximadamente 10% na Capital e 10,5% na área metropolitana. Enquanto em Curitiba o número de chamadas atendidas pela PM aumentou de 55.090 para 59.890, na região os casos passaram de 66.750 para 74.035.
Computados pelo Comando do Policiamento da Capital (CPC), os números despertam uma preocupação principalmente com relação aos homicídios. No ano passado em Curitiba e região metropolitana foram registrados 348 homicídios. Entre janeiro e abril de 99 já aconteceram 144 assassinatos. Isso significa que a média mensal deste ano, com 36 homicídios por mês, é 20% maior que a de 98, quando aconteceram 29 crimes mensais.
Apesar de a população das municípios da região metropolita reclamarem da falta de uma presença mais efetiva da polícia, para o tenente-coronel Oscar Paluch, que responde inteirinamente pelo Comando do Policiamento da Capital, o aumento da crimimalidade está diretamente relacionado ao problema social. Na avaliação de Paluch, a questão econômica, com o desemprego e falta de dinheiro, é um dos fatores preponderantes no mundo da violência.
De acordo com o tenente-coronel, apesar das dificuldades a Secretaria de Estado da Segurança Pública vem trabalhando no sentido de conter a criminalidade, procurando pelo menos mantê-la nos mesmos índices do ano passado. Uma das principais deficiências da PM é o número de policiais, pois o efetivo não vem acompanhando o crescimento da cidade. Na área do 13º Batalhão da Polícia Militar, por exemplo, que atende a região Sul de Curitiba, existem 600 homens para uma população estimada em 800 mil habitantes.
As ocorrências que lideram o ranking de registros da PM são as lesões corporais. Apesar de representar a maioria dos atendimentos, esse tipo de situação vem diminuindo drasticamente este ano. Entre janeiro e abril de 98 foram 5.172 denúncias de lesões, contra apenas 2.676 registradas no mesmo período deste ano. Oscar Paluch esclarece que nem todas as ocorrências atendidas pela PM representam algum tipo de crime. Os registros dividem-se em crimes, contravenções e banalidades, que muitas vezes são resolvidas com a simples presença física e material da PM, sem a necessidade de registro oficial do caso.
Entre as localidades mais violentos de toda a grande Curitiba -levando em consideração a relação do número de ocorrências pelo quantidade de habitantes - destacam-se o Bairro Novo, Parolim e Sítio Cercado, além dos municípios de Pinhais, Almirante Tamandaré, Colombo e Araucária. Na última ocorrência registrada na favela do Parolin, no final do mês passado, uma servente morreu com tiro na cabeça durante um tiroteio entre policiais e moradores do local.
Na região metropolitana a reclamação com relação à segurança é generalizada, seja por parte dos segmentos organizados ou do conjunto da população. Todos pedem presença mais efetiva tanto da Polícia Militar como da Civil. Em alguns municípios, como em Colombo, por exemplo, por falta de opção os moradores alegam que são obrigados a aprender a conviver com a violência.

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