Aumenta a procura de plásticas por jovens
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Com estímulos vindos da televisão, da internet, dos colegas e, às vezes, da própria família, as cirurgias plásticas têm atraído cada vez mais o público jovem. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), entre setembro de 2007 e agosto de 2008 foram realizadas 629 mil plásticas estéticas em todo país, todas por profissionais especializados. As plásticas em adolescentes - entre 14 e 18 anos - representam pelo menos 13% desse total, ou seja, mais de 100 mil jovens se submeteram a algum tipo de intervenção estética no período analisado. ''A mídia impõe um padrão estético fictício e o que percebo é uma supervalorização da beleza entre os adolescentes; todos buscam um corpo ''malhado'', observa o hebiatra (especialista em adolescentes) Walter Marcondes Filho.
No consultório do cirurgião plástico Sérgio Eduardo Vianna os adolescentes representam cerca de 10% de sua clientela. Segundo o especialista, a rinoplastia (plástica de nariz), a mamoplastia redutora (diminuição das mamas) e a otoplastia (correção de orelhas de abano) são os procedimentos mais procurados pelas meninas. Já a otoplastia e a ginecomastia (correção do volume das mamas masculinas) lideram entre os meninos.
Embora o cirurgião constate aumento na procura por cirurgias da moda, como prótese de silicone e lipoaspiração, a maioria dos adolescentes ainda recorre ao bisturi para corrigir imperfeições reais, geradoras de traumas e impeditivas do desenvolvimento psicossocial. ''É o caso da menina que possui seios muito grandes e não usa biquíni, se isola, e apresenta problemas na coluna por conta disso'', exemplifica. Nestes casos, a paciente já chega com indicação do ginecologista e do ortopedista.
Com meninos e meninas tomando atitudes cada vez mais precoces em relação aos cuidados com a aparência, surgem algumas questões, como a idade limite para as cirurgias plásticas. De acordo com o presidente da SBCP Regional Paraná, Manoel Cavalcanti, cada cirurgia plástica obedece a um calendário de atuação (orelhas a partir dos sete anos, nariz a partir dos 17, próteses mamárias e lipoaspiração a partir dos 17 anos e assim sucessivamente). ''O cirurgião plástico consciente, responsável e que respeita o seu cliente, sabe que tudo tem hora certa, evitando 'atropelar' o desenvolvimento normal dos tecidos ainda imaturos com a ação do bisturi'', argumenta.
Segundo Vianna, além do desenvolvimento físico, a maturidade psicológica do paciente é outro critério a ser rigorosamente avaliado pelo cirurgião, especialmente em uma fase marcada por mudanças físicas, psicológicas e comportamentais. ''Nesta fase a pessoa percebe a sua imagem corporal distorcida. Por isso a necessidade de o paciente ser avaliado por um profissional que tenha uma visão global do jovem, especialmente do seu psiquismo, pois, dependendo do seu estado, o adolescente pode descompensar em um surto e sempre estar insatisfeito por mais intervenções que faça no corpo'', alerta Marcondes Filho. Para os que insistem em fazer cirurgia plástica mesmo sem necessidade, o médico procura estabelecer um vínculo por meio do diálogo, mostrando que o adolescente não possui defeitos e que o mais importante é a beleza interior.
A SBCP ressalta que a opção pela plástica deve ser decidida pelo paciente, juntamente com a orientação do médico, e com o consentimento dos pais. O profissional deve esclarecer o paciente sobre todos os procedimentos cirúrgicos que terá de enfrentar, como a internação, a anestesia, as cicatrizes, os medicamentos, o repouso no pós-operatório e os resultados esperados. ''As novas técnicas e drogas fazem com que o ato cirúrgico e a recuperação sejam mais rápidos e seguros. Os adolescentes que aparecem no consultório estão bem informados e decididos. É difícil demovê-los da ideia'', observa o cirurgião plástico Sérgio Vianna.


