Aumenta a ocupação de fundo de vale
Área próxima ao Córrego Sem Dúvida, na zona norte, que foi invadida na semana passada, recebe novos moradores
Famílias começaram ontem a erguer barracos no Jardim dos CamposConstrutora que tem área nas proximidades vai fazer levantamentoO pedreiro Mauro Borges: Não vamos sair daqui até a ordem do juizLino Ramos
De Londrina
Novas famílias ocuparam ontem parte de um loteamento ao lado do Jardim dos Campos, na zona norte de Londrina. Elas vieram se juntar às 32 famílias que invadiram o local, um fundo de vale próximo ao Córrego Sem Dúvida, no dia 4. Ontem à tarde, os sem-teto queimavam o mato e carpiam os terrenos para levantar barracos.
A desempregada Luzia de Moraes, 20 anos, disse que está tentando fugir do aluguel de R$ 60,00 da casa onde mora com dois filhos. Não sei se é uma área particular. Um conta pro outro e acabei vindo aqui sozinha, alegou. Luzia de Moraes contou com a ajuda da mãe, Benedita Moraes, de 40 anos, uma das primeiras a chegar no terreno. Ela não sabia quantas famílias já estavam na invasão. Mas vai chegar mais gente, adiantou.
Desempregado há dois anos, Antonio França vive com a família no assentamento Jardim dos Campos e tenta uma vida melhor. Fiquei sabendo que vai ser padronizado (regularizado). Se não for, também não quero e fico lá mesmo, comentou.
Com medo que a nova ocupação prejudique as primeiras famílias que invadiram o fundo de vale, o pedreiro desempregado Mauro Borges, 30 anos e pai de três filhos, ressaltou que elas não têm ligação com as pessoas que estão na área particular. Não vamos sair daqui até a ordem do juiz e só se for para outro lugar.
Aparecida Borsuk, 23 anos, grávida de seis meses e mãe de uma menina de 2 anos, morava com a mãe no Conjunto Luiz de Sá e também decidiu fugir do aluguel. É preciso ter um lugar pra morar, comentou.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Assad Jannani, disse ontem que não irá interferir nas ocupações de áreas particulares e nem negociar com invasores. Pessoas com problemas de acomodação devem procurar a Cohab. A Cohab ajeita mas não aceita invasores, concluiu.
O loteamento parcialmente invadido é da Senna Construções Ltda. Segundo o empresário Max Lobato, os lotes ocupados podem até pertencer à Cohab. Alguns foram repassados à companhia em razão de uma parceria para a venda de lotes populares de 200 metros quadrados, explicou.
Lobato disse que um engenheiro da construtora irá fazer um levantamento do local hoje de manhã e se for comprovada a invasão, irá tomar medidas em junto com a prefeitura. Tem que ser em conjunto, não adianta jogar tudo para mim.





