Londrina

Dorico da SilvaAção na ruaA professora Terezinha Meli no protesto: palavras de ordemCerca de 300 alunos de 5ª à 8ª série da Escola Estadual Weber Soares Vargas, no jardim Monte Carlo (zona oeste), juntamente com alguns professores e o diretor Gilberto de Carvalho, tiveram na manhã de ontem uma atividade diferente. Depois de discutir em sala de aula a questão da cidadania, eles foram em passeata até o prédio do futuro posto de saúde do jardim San Izidro. Portanto faixas e cartazes, eles gritavam palavras de ordem reivindicando a imediata abertura e funcionamento do posto.
‘‘Esta é a parte prática de nossas aulas. Discutimos de forma interdisciplinar a questão dos direitos da população, a questão da cidadania. E estamos aqui para exigir o respeito aos nossos direitos, para cobrar respeito e denunciar que estamos sendo lesados com o prédio do posto fechado’’, explicou Gilberto de Carvalho. Segundo ele e a professora de Ciências Terezinha Aparecida Enz Meli - que ajudou na coordenação do protesto - o prédio foi inaugurado no final de 96, mas até hoje a unidade de saúde municipal não entrou em funcionamento.
Terezinha Meli afirma que o novo posto beneficiará cerca de 5 mil famílias. ‘‘Hoje, para ser atendidas as pessoas têm que andar mais de dois quilômetros, até o posto do jardim Califórnia. Já fomos várias vezes até a Prefeitura, desde o início do ano, reclamar pela abertura do posto. Mas sempre dizem que o problema é falta de verba para a contratação de pessoal.’’
O diretor Gilberto de Carvalho conta que a construção do posto na região é uma reivindicação muito antiga da comunidade. ‘‘Agora, depois de pronto, não colocam em funcionamento. Não adianta nada, este prédio bonito mas fechado a풒, comenta. De acordo com ele, mesmo sem contar com guardas o prédio ainda não sofreu nenhuma depredação porque os moradores da região sabem respeitar o patrimônio público. ‘‘Nenhum vidro foi quebrado nestes meses todos. Isso mostra o carinho e o respeito das pessoas pelo bem público.’’
O superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, se diz muito preocupado e chateado com o protesto realizado ontem. Segundo ele, o posto de saúde ainda não funciona porque a construção ainda não está completa e falta também a compra dos equipamentos. ‘‘Esta afirmação de que o prédio foi inaugurado no ano passado é absurda, falsa. As obras tiveram início em novembro de 96, e só há cerca de 40 dias foram entregues pela empreiteira. Mas agora faltam os detalhes de acabamento e a chegada dos equipamentos.’’
Ele garante que o posto - no qual já foram investidos R$ 123 mil - funcionará ainda neste ano. ‘‘Não haverá a necessidade de contratação de novos profissionais. Faremos um remanejamento de pessoal. Este não é o problema. Mas temos um calendário de obras, um cronograma de investimentos a ser respeitado’’, explica Agajan Der Bedrossian, lembrando que nenhum morador daquela região ou participante do protesto de ontem esteve com ele para saber sobre o andamento das obras ou a data de inauguração.
‘‘Em momento algum tiveram a delicadeza, a gentileza - nem por telefone, nem por correspondência ou pessoalmente - de me procurar para discutir sobre aquele posto. E agora usam crianças para fazer o protesto. Isso é muito ruim, porque eles acabam perdendo a credibilidade para uma reivindicação que é importante’’, ressalta o superintendente da Saúde municipal. ‘‘Estamos em fase final de reforma, construção e compra de equipamentos de quatro ou cinco postos. O do jardim San Izidro é um deles, e será entregue ainda neste ano. Estamos licitando a compra dos equipamentos - que custarão cerca de R$ 50 mil - e completando alguns detalhes no prédio, para que tudo possa funcionar perfeitamente após a inauguração.’’

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