Aos poucos, os moradores do Distrito de Lerroville (60 km ao sul de Londrina) tentam retomar a normalidade após o acidente que vitimou o estudante Victor Hugo Ferreira Silvestre, de 15 anos, morto na última sexta-feira após receber um choque elétrico ao debruçar-se sobre uma cerca elétrica irregular na Escola Municipal Bento Munhoz da Rocha Neto. As aulas devem ser retomadas hoje mas ainda é grande a indignação de colegas e familiares do adolescente, que pedem a troca da atual direção do colégio.
Ontem, funcionários da prefeitura fizeram a retirada da cerca de arame farpado erguida sobre os muros do colégio e pintaram todo o exterior na tentativa de encobrir as mensagens pichadas em homenagem a Victor Hugo. Mas enquanto na escola as marcas da tragédia vão sendo apagadas, nas ruas do distrito e nas mentes das pessoas ainda continuam latentes. Por todo o vilarejo é fácil observar pichações em memória do adolescente.
''Essa escola teve uma história de 1975 (quando foi inaugurada) até agora e vai ter outra daqui para frente'', resumiu o professor do colégio há 10 anos, Rogério Massoni. Ele ponderou que deveria ser feito um trabalho de orientação com os alunos para que o convívio volte a ser harmonioso. ''Tudo que for feito para amenizar a situação é positivo mas agora não é o momento porque os ânimos ainda estão exaltados'', comentou.
A tese do professor é confirmada entre os estudantes, que revelam muita mágoa ao falar sobre o acidente. ''O Victor era nosso velho amigo e tirar só os fios de arame não vai fazer a gente esquecer'', disse um aluno. Um outro estudante afirmou que era com ele que Victor Hugo queria conversar por causa de um serviço de pintura quando foi ao colégio e debruçou-se sobre a cerca. ''Ninguém sabia que tinha choque ali'', garantiu. Questionado se o diretor Renilson Machado do Nascimento teria condições de reassumir seu cargo, confessou: ''vai ficar muito esquisito e acho que o melhor seria colocar outro diretor''. Mas mais importante que isso, segundo o adolescente, é que os responsáveis sejam punidos.
Entre os pais, muitos ainda preferem não comentar o assunto mas é perceptível a vontade de que as aulas retomem à normalidade. ''A vida continua e o que aconteceu foi uma fatalidade'', afirmou uma comerciante, sem se identificar. ''Foi uma coisa inesquecível mas acho que as aulas precisam voltar'', argumentou outra comerciante.
Mesma opinião teve o auxiliar de direção da escola, Davi Cardoso Pereira, que foi destacado pela Secretaria Municipal de Educação para atuar como diretor nos próximos 15 dias. ''A situação está calma e acho que não vai haver problemas'', apontou, completando que a retirada da cerca e a pintura do muro ajudam mas ''esquecer uma fatalidade dessas vai ser impossível''. Ele afirmou que a escola sofre com vandalismo, principalmente nos finais de semana, mas assegurou que não sabia que a cerca tinha sido eletrificada irregularmente. Pereira também elogiou o trabalho do então diretor da escola. ''Foi uma fatalidade porque ele é um excelente diretor e sempre fez um ótimo trabalho'', garantiu.
Segundo a Folha apurou, Nascimento e a esposa não estão em Lerroville. Ele foi contatado por telefone no início da tarde mas justificou que estava em uma reunião familiar e não poderia atender a reportagem.

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