Curitiba Devido as duas recentes mortes causadas pelo tipo mais grave de meningite, a meningocócica, as aulas das redes particular e pública de Castro foram suspensas até amanhã. As duas vítimas estudavam na mesma escola. A decisão foi tomada em conjunto, durante reunião que aconteceu anteontem, entre a Secretaria de Saúde do Municipal e diretores de escolas. Só neste ano, a cidade registrou oito casos da doença e três óbitos.
O secretário de Saúde de Castro, Júlio Sandrini, informa que quatro adolescentes permanecem internados. Um deles tem a doença confirmada e faz tratamento, e os outros três estão sob suspeita. Para ele, o fato dos dois óbitos terem ocorrido em um curto período de tempo gerou pânico na população. No começo da semana, dobrou o número de atendimentos nos pronto-socorros. ''Tivemos duas mortes, uma menina de 15 anos e um garoto de 14 anos, causadas pela neisseria meningitidis do soro tipo B. O período de incubação varia até 10 dias, mas em média de 4 a 5 dias ela se manifesta'', explica. ''Na forma mais grave, a evolução da doença ocorre de 10 até 24 horas e pode levar ao óbito. Ela acomete, na maioria dos casos, adolescentes saudáveis e isso assusta bastante.''
O secretário diz que para confirmar a existência do surto de meningite em Castro depende do foco de avaliação. ''Se considerarmos todos os casos registrados esse ano, dá para dizer que temos um surto. Nossa região é endêmica de meningite, uma bactéria que ataca mais as pessoas que vivem em clima mais frio'', disse. ''No momento temos dois casos de óbito da meningite meningigocócica, que tem taxa de letalidade que varia de 7% a 70%'', informa ele, dizendo que, em maio, uma criança faleceu depois que contraiu um outro tipo de meningite. No ano passado, foram notificados 18 casos da doença (maioria meningite viral) em Castro e nenhum óbito.
De acordo com Sandrini, todas as pessoas que tiveram contato com as três pessoas acometidas pela meningite receberam antibiótico para o bloqueio da transmissão. ''Estamos com dificuldade em fazer o mapa epidimiológico, porque não tivemos tempo de conversar com os dois adolescentes para fazer o rastreamento. Os dois jovens que faleceram não tinham contato na escola. Só sabemos que eram vizinhos e moravam na mesma quadra. Não temos nada de concreto'', lamenta Sandrini, dizendo que a escola não é um foco de contaminação.
Sandrini ainda informa que foram seguidas as normas do Ministério da Saúde, de se fazer busca ativa para o bloqueio nos comunicantes diretos. Também está sendo realizada uma campanha educativa com a população.
Escola Os funcionários do Colégio Estadual Amanda Carneiro de Melo passam o dia atendendo as famílias ainda amedrontadas com as mortes dos dois adolescentes. Além deles, o jovem que permanece internado também é aluno da escola. Os pais buscam saber se os filhos correm risco de contágio e a escola busca se livrar da suspeita de ser o ''foco da doença'', até porque a trasmissão só é feita entre humanos.
''Nós ainda estamos abalados com a morte dos dois alunos, um deles, inclusive, estava conosco desde a 5 série do Fundamental. Infelizmente foi uma fatalidade e uma coincidência todos serem alunos nosso'', disse a secretária do colégio, Tangreíse Macedo.

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