Os alunos da rede estadual de ensino que voltaram às aulas ontem tiveram uma surpresa. As aulas de informática foram extintas do currículo escolar deste ano. Segundo Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, os laboratórios continuarão funcionando sob a supervisão dos professores, que poderão utilizar os computadores como um recurso para incrementar as aulas. ''A informática passa a ser uma ferramenta para as outras disciplinas'', justificou a técnica pedagógica Isabel Félix, da equipe de ensino do NRE.
Isabel disse que, em meados dos anos 90, a disciplina foi introduzida nas escolas estaduais para suprir a necessidade de alunos e professores que ainda não dominavam o computador. ''Poucas escolas tinham laboratórios e os alunos recebiam apenas uma ou duas aulas semanais'', lembrou.
Porém, segundo a assistente do NRE, Marlene de Mello, agora o governo estadual entende que a informática não é uma ciência básica para a formação do aluno. ''O aluno poderá ter acesso a cursos rápidos de computação oferecidos por organizações não-governamentais'', apontou.
Segundo Marlene, os professores de informática já ministravam outras disciplinas na rede estadual e apenas incrementaram sua carga horária com as aulas de computação. ''Não haverá demissões e os professores serão remanejados para suas disciplinas de origem'', afirmou.
Para o presidente do Sindicato dos Professores (APPSindicato) de Londrina, Luis Martins de Lima, muitos profissionais serão dispensados. ''Além de deixar as escolas desprovidas de técnicos em computação, o governo não faz a manutenção dos computadores, deixando-os obsoletos para os alunos'', reclamou.
No Colégio Estadual Professor Vicente Rijo, os alunos não terão acesso aos computadores fora do período de aula, como acontecia antes. ''A escola não contará mais com o professor, por isso a secretaria de Educação está providenciando a vinda de um técnico para monitorar as aulas'', disse o diretor José Donizetti Brandino de Oliveira, apontando porém que o funcionário ainda não foi contratado. O colégio conta com dois laboratórios equipados com cerca de 30 computadores, todos ligados em rede e com acesso à internet.
A chefe do departamento de ensino fundamental da Secretaria Estadual de Educação, Fátima Yokohama, garantiu que os laboratórios serão aproveitados em um projeto que está sendo desenvolvido junto aos Núcleos Tecnológicos Educacionais (NTE). ''O governo entende a informática como uma alternativa de linguagem para os professores e irá criar um projeto que permita aos alunos aproveitarem os computadores fora do horário das aulas'', adiantou, ressaltando que a mudança no currículo não resultará em demissões.

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