Começou ontem à tarde o curso de capacitação para 126 alfabetizadores do projeto ''Alfabetizando Londrina''. Com duração de uma semana, as atividades deveriam ter começado em fevereiro e, as aulas, em março , mas a falta de um repasse de R$ 276.804 do Ministério da Educação (MEC) atrasou o cronograma. Motivados e com turmas de alunos já formadas, porém, os voluntários não têm uma data para o início do projeto.
De acordo com a gerente da Educação de Jovens e Adultos (EJA), Elaine Souza Carvalho, a espera pela verba já se arrasta desde dezembro de 2003, quando foi assinado o convênio para a viabilização do projeto e elaborado o material didático a ser utilizado. O dinheiro da União será usado na ajuda de custo de R$ 15 por aluno a que cada voluntário terá direito.
Além do trabalho prévio dos alfabetizadores em formar um grupo de alunos e cadastrá-los, Elaine afirmou que a motivação dos próprios alunos, analfabetos maiores de 15 anos, também pode ser prejudicada com a demora. ''O jeito é cada um teimar com sua turma para não haver desistência'', disse. Ao todo, conforme dados da secretaria municipal de Educação, são 2.863 alunos cadastrados, distribuídos em 141 turmas semestrais.
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Segundo a secretária Carmem Baccaro Sposti, as atividades só começam quando o dinheiro chegar. ''Conversei com representantes do MEC e eles me garantiram que isso acontece até 21 de maio'', comentou. ''É possível que tenhamos perda de interesse de alunos até lá, mas não tem jeito'', concluiu.
A psicóloga Angélica de Martini, 48, contou que a turma de catadores de papel levada por ela ao projeto está bastante apreensiva. ''Eles estão ansiosos, e a gente nunca tem uma resposta definitiva para dar'', desabafou. Das 30 pessoas iniciais, acrescentou, agora são 21.
Também alfabetizadora, a cientista política Maria Edilaine Cianca, 36, usou a experiência de quase dois anos de voluntariado na secretaria municipal do Idoso para juntar interessados no bairro onde mora, no Conjunto Milton Gavetti (Zona Norte). O grupo que ela coordenará tem 25 idosos, que estão ansiosos pela oportunidade de aprender a ler e escrever. ''Volta e meia eles me param na rua, cobrando'', lembrou. ''A necessidade deles é muito grande, e, por mim, começo a dar aulas segunda-feira, mesmo sem a vinda do recurso''.

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