Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A chuva na manhã de ontem cancelou uma manifestação que o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) programou para recepcionar os mais de mil calouros da instituição. O ato em ‘‘Defesa da Escola Pública’’ foi transferido para a próxima sexta-feira. Grande parte dos novos acadêmicos teve que se submeter à lama, ao pedágio nos sinaleiros e ao escracho dos veteranos no câmpus da UEM.
Os calouros que conseguiram escapar do trote tiveram a oportunidade de assistir à peça ‘‘O Guarani’’, apresentada pela companhia Circo Teatro Sem Lona. A alegria dos atores e o cenário inusitado proporcionaram um clima mais ‘‘cultural’’ ao primeiro dia de aula da UEM. ‘‘Nossa programação não tem o objetivo de humilhar o calouro e sim de conscientizá-lo da sua função social como aluno de uma universidade pública’’, explica a coordenadora geral do DCE, Adriana Rodrigues, acadêmica do 4º ano de psicologia.
A coordenadora lamentou que o rito de passagem para a nova vida acadêmica ainda se baseie na submissão ao veterano. ‘‘A prova maior aos calouros deve ser a força intelectual’’, afirma Adriana. A programação do DCE para o trote cultural durante toda esta semana inclui apresentações musicais, artísticas e debates.
A UEM também agendou uma série de eventos para recepcionar os alunos. Amanhã haverá a campanha de doação de sangue para amenizar as baixas no estoque do Hemocentro. O vereador Miguel de Oliveira (PDT), que no ano passado conseguiu aprovar um projeto de lei proibindo o trote em Maringá, disse ontem que os calouros continuam nas ruas porque a lei não foi sancionada. ‘‘Vou cobrar a sanção para evitar a exposição dos estudantes, como está acontecendo’’, prometeu.

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