Aula de Natal - Alunos criam brinquedos para doar
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de dezembro de 1997
Carina Paccola 
Londrina
Arte e presenteEstudantes do Colégio São Paulo com os brinquedos criados por eles: trabalho vira presente para menores pobres da CidadeNo Colégio São Paulo, quem usou a cabeça e as mãos para criar e restaurar brinquedos foram as próprias crianças. Em outubro, a professora de Educação Artística Elisa Gerais Greca lançou a proposta para os alunos de 5ª à 8ª séries, como último trabalho escolar do ano. Valia de tudo: trazer garrafas plásticas, madeira, tinta, papel e brinquedos usados.
Para transformar esse material em presentes para as crianças pobres, os alunos utilizaram conceitos e informações aprendidas durante o ano letivo. O desafio para a 5ª série foi formar quebra-cabeças com obras de arte. Não foi difícil: afinal, as crianças haviam estudado os grandes artistas da humanidade na sala de aula.
Lilian Ribeiro, de 11 anos, escolheu a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, como tema do quebra-cabeça. Ela tirou xerox colorido de um livro e fez os recortes necessários. Escolhi a Mona Lisa porque gosto do jeito dela, conta Lilian. O quadro escolhido por Juliana Righetti, de 11 anos, foi Vênus Seguida pelas Graças, de Botticelli. Achei bonito e fácil para as crianças montarem depois, explica. Thiago Tanaka viu uma reprodução de A Menina Azul, de Modigliani, num livro, gostou e fez o brinquedo.
Os alunos trabalharam em duplas. Os quebra-cabeças foram guardados em caixinhas encapadas, com a figura completa colada na tampa. Para Lilian, fazer brinquedo para uma criança foi uma atividade divertida. Além de aprender, é um presente para quem não pode ter um, diz Lilian. Juliana lembra que os alunos do colégio recebem presentes em todas as festas. Foi a primeira vez que criamos brinquedos. As crianças pobres muitas vezes não recebem nada.
Os alunos da 6ª série trabalharam com as formas geométricas. Círculos, quadrados, triângulos e retângulos de papel viraram brinquedo de encaixar. A oficina para os estudantes da 7ª e 8ª séries foi restaurar brinquedos usados e criar novos com material reciclado.
A madeira foi bastante utilizada. Ganhou forma de carrinhos de rolimã, pernas-de-pau, jogos de damas, caminhões, aviões. As bonecas usadas tiveram os cabelos penteados, a roupa passada e a pintura retocada. Carrinhos velhos receberam uma demão de tinta.
Segundo a professora Elisa, os 130 alunos envolvidos no trabalho ficaram bastante empolgados com a idéia. No total, foram construídos e restaurados 80 brinquedos. Foi muito gratificante para todos fazer um brinquedo, que será um presente de Natal para uma criança. Os alunos ficaram muito tocados com a idéia, conta Elisa.
Na procura de materiais, os alunos discutiam em sala de aula qual o melhor para cada brinquedo. A espuma foi a escolhida para a confecção de um dado. A princípio, eles pensaram em papelão. Mas aí estragaria fácil. Depois, em madeira, que faria muito barulho. A solução foi a espuma, lembra a professora. Para uma caixa de pescaria, em que são pescados números de madeira que valem pontos, a saída foi uma tampa de isopor (onde os números são encaixados) em vez de encher a caixa de areia.
Os alunos tiveram a preocupação de fazer o melhor possível, pensando na criança que vai receber o brinquedo. Tomavam cuidado para que a madeira ficasse bem lixada, para que a pintura ficasse bem feita. O acabamento foi caprichado, relata a professora. Essa preocupação também aparece no material descritivo, que acompanha cada brinquedo. Os alunos tiveram que descrever como foi feito e como se brinca com cada objeto.
Elisa acredita que o carinho e a dedicação dos alunos serão bem recebidos pelas crianças carentes. Elas vão amar receber brinquedos feitos por outras crianças. Os alunos não foram às lojas comprar um presente. Eles tiveram que pensar para ver o que era viável construir e aprenderam a repartir.
A professora ressalta que a idéia de construir os brinquedos surgiu de uma recomendação, feita pela Unopar - mantenedora do colégio - no início do ano, de trabalhar com material reciclável nas aulas de Educação Física, e da solicitação do Provopar de coletar brinquedos nas escolas. Unimos as propostas e o resultado foi muito bom.


