AULA DE CIDADANIA - 'Dançar era um sonho e hoje já faz parte de mim'
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quarta-feira, 05 de julho de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Há quatro anos, a professora de balé Ery Cláudia Abujamra assumiu o desafio de dar aulas de dança para as crianças da comunidade do bairro Campos Verdes, em Cambé, uma das localidades mais carentes da divisa com a zona oeste de Londrina. Com ampla experiência em escolas particulares, ela iniciou o projeto com a perspectiva de ensinar conteúdos para a vida das crianças. As aulas ocorrem no centro comunitário que a paróquia Dom Bosco que adotou o bairro mantém no local.
Os resultados superaram a expectativa dos envolvidos. Ery relata que as meninas, antes tímidas e com dificuldades para se relacionar, hoje se mostram seguras e solidárias em relação às amigas, o que a professora considera uma grande conquista. "Elas aprendem a se pentear, maquiagem, higiene pessoal e boas maneiras, como ensino para todas as outras turmas. É um processo transformador", garante.
Além de Ery, duas bailarinas dão aulas voluntariamente, assim como quem prepara o lanche. "Muitas mães das minhas alunas particulares são médicas, dentistas, cabeleireiras... Sempre há alguém que se propõe a passar um dia com a gente e atender as meninas", diz.
Proprietária da escola que funciona no clube Arel, Ery sempre prepara um número das alunas do Campos Verdes para mostrarem no espetáculo final que ela realiza. Neste dia, a igreja manda um ônibus para levar os pais, o que a professora garante ser uma experiência emocionante. "Muitos nunca tinham entrado em um teatro", conta.
O sonho, agora, é realizar um espetáculo exclusivo para as meninas. Para isso, entretanto, ela precisa de doações da comunidade, tanto para pagar o aluguel de um teatro como para os figurinos. "Qualquer ajuda é bem-vinda", antecipa ela, que precisa desde uniformes de balé, tecidos e acessórios de costura até doações de produtos que podem ser vendidos no bazar da igreja ou através de rifas.
SONHOS REALIZADOS
Alexandra Domingues, 13, aprendeu no balé a ser educada e gentil. "Amo muito as aulas porque dançar balé era o meu sonho, mas meu pai nunca pôde pagar", conta ela, que quer se formar bailarina e ensinar outras pessoas.
Ana Beatriz Scandalo, 16, tem conhecido outras paisagens graças a projetos como o balé o futsal, que também pratica. Integrante do time de Cambé, ela começa a conquistar títulos e conta que já conheceu outras cidades do Paraná graças a essas experiências. "Com o balé, quero melhorar cada vez mais", planeja.
Foi a avó quem incentivou Beatriz Chistine da Silva Teixeira a começar as aulas de balé no salão da igreja. "Dançar era um sonho e hoje já faz parte de mim. Aqui aprendo sobre amor, educação e gentileza", enumera.
Já Gabriele Cristina Souza Silva, 13, conta que se apresentou duas vezes no Teatro Marista e considerou a experiência maravilhosa. Antes de frequentar as aulas, ela via bailarinas famosas dando entrevistas para jornais e programas de TV e tinha o sonho de um dia, se tornar uma delas. De colã e sapatilha, ao dar entrevista para essa reportagem, mais um sonho foi realizado.


