‘‘O resultado da auditoria demonstra uma situação lamentável, caótica. A qualidade do atendimento oferecida aos pacientes é péssima.’’ A afirmação foi feita ontem à tarde, em Londrina, pelo presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, Luis Sallim Emed, ao divulgar o relatório final da auditoria realizada nos prontos-socorros dos três maiores hospitais da Cidade.
A auditoria - ocorrida na semana passada a pedido do corpo clínico da Santa Casa - levantou dados, avaliou as condições de trabalho dos médicos e checou a qualidade dos serviços prestados diariamente a centenas de pessoas nos PSs do Hospital Universitário (HU), Hospital Evangélico (HE) e Santa Casa.
De acordo com o relatório divulgado, os PSs vivem superlotados, os pacientes são atendidos em condições extremamente desfavoráveis - nos corredores, em macas, em cadeiras-de-rodas -, e os médicos trabalham sob intensa pressão. ‘‘Estamos muito preocupados com o resultado da auditoria, que demonstra que os médicos enfrentam péssimas condições de trabalho, o que aumenta o risco de imperícias e deslizes éticos. A pressão da alta demanda é tão grande que muitos médicos estão saindo deste setor de atendimento e outros não aceitam entrar na mesma função’’, afirmou o presidente do CRM.
O HU, único cujo pronto-socorro atende exclusivamente a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) todos os dias, atendeu em janeiro cerca de 7.500 pacientes. O PS da Santa Casa atendeu, também no mês passado, 4.736 pessoas, das quais 3.204 cobertas pelo SUS. Já no Evangélico, o PS atendeu 3.340 pacientes. Estes dois últimos hospitais se revezam no plantão de atendimento - cada um deles funciona dia sim, dia não. O PS do HU atende todos os dias - quando não está fechado por superlotação.
A auditoria detectou ainda que o atendimento é muito prejudicado pelo sucateamento dos equipamentos e falta de espaço nos PS dos três hospitais. ‘‘Não dá para destacar o que há de pior. A situação é muito ruim, muito grave nos prontos-socorros dos três hospitais. A situação se agrava pela superlotação diária, causada pelo fato de que para eles são encaminhados doentes de aproximadamente 200 municípios do norte do Paranᒒ, afirmou o presidente do CRM.
Na manhã de ontem, a direção do Conselho de Medicina esteve reunida com representantes da 17ª Regional de Saúde - do Governo do Estado -, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Promotoria Pública, hospitais que passaram pela auditoria, e com o superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian. Eles receberam o relatório da auditoria e, conjuntamente, iniciaram a discussão de medidas que levem à solução dos problemas encontrados.
Entre as medidas, destacam-se o esforço das autoridades para que pacientes que não necessitem de atendimento de urgência não sejam encaminhados aos PSs dos três hospitais londrinenses antes de passarem por consulta médica em postos de saúde e hospitais nas cidades de origem. ‘‘Precisamos de uma readequação em todo o sistema de saúde pública, de mais verbas no orçamento e de ampliação no espaço físico dos hospitais’’, disse Luis Emed. Ele adiantou que terá audiência com o secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, na próxima semana, quando insistirá na liberação de recursos para a reforma e ampliação do HU, reivindicada há anos.

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