O relatório da auditoria realizada no sistema de pesagem de lixo, instalado no ‘‘Lixão’’, em Londrina, concluiu que existe ‘‘fragilidade e vulnerabilidade’’ na coleta, mas isentou a Vega Engenharia Ambiental de culpa no caso dos ímãs encontrados na coluna da balança, apreendidos no dia 10 de outubro. ‘‘O contrato com a Vega, que termina no início do segundo semestre do ano que vem, vai ser respeitado. A empresa pode, inclusive, participar da licitação que será feita’’, afirmou o auditor do município Sadi Chaiben.
De acordo com o relatório, de cerca de 180 páginas, no local onde os ímãs estavam não havia risco de adulteração na pesagem. Entretanto, o mesmo relatório admite que, ‘‘por ser um material aderente ao metal, pode influenciar e alterar o peso do lixo, se colocado em local de componente de leitura’’.
A presença dos ímãs, segundo o relatório, que foi coordenado por Chaiben e apresentado ontem à imprensa, ‘‘nada interferiu, de 25/9 a 31/10, mas a conclusão do inquérito policial está sendo aguardada’’. A facilidade de fraudes foi comprovada, mas isso só seria possível ‘‘se houvesse um acordo comum entre as partes’’, ou seja, entre funcionários municipais efetivos e da frente de trabalho, em conluio com empregados da Vega. Funcionários da Autarquia Municipal do Ambiente trabalhavam ‘‘diuturnamente com a Vega’’, mas nada foi evidenciado contra eles.
A balança utilizada na pesagem encontra-se, segundo o relatório, ‘‘obsoleta, possibilitando a fraude do lixo coletado, sofrendo oscilações de mais de 20 quilos por pesagem’’. Contudo, os auditores concluíram que isso não ocasiona prejuízos, pois os veículos utilizados pela Vega são pesados na entrada e na saída do Lixão. ‘‘Os caminhões de terceiros não pesavam na entrada’’, já que eram considerados o peso declarado. Esses caminhões chegavam a realizar 789 viagens por mês.
Em suas considerações finais, o auditor sugere que a balança seja substituída por um sistema de fibra ótica. O trabalho de conferência e faturas de serviços devem ser efetuados por pessoal efetivo, e não pela frente de trabalho. A presença de ‘‘garimpeiros’’ deve ser proibida e uma empresa de consultoria deve ser contratada, diz o relatório. O relatório vai ser encaminhado ao Ministério Público na próxima semana.

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