Auditoria gera ameaças a secretários
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quarta-feira, 19 de março de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
A auditoria que está sendo realizada na administração central, autarquias e empresas municipais de Cascavel estão provocando ameaças de represálias contra secretários e diretores. Há, inclusive, suspeita de que o carro de um secretário diretamente envolvido com a auditoria tenha sido sabotado. A reação estaria partindo de pessoas que temem os resultados da investigação, iniciada em fevereiro.
Para não ficarem suscetíveis a pressões, os próprios auditores, de uma empresa especializada de Curitiba, tomaram a cautela de recolher documentos em Cascavel e levá-los para análise na sede da empresa. Embora o prefeito Salazar Barreiros (PPB) evite lançar publicamente suspeitas contra seu antecessor Fidelcino Tolentino (PMDB), a investigação foi motivada por indícios de irregularidades em negócios da administração anterior.
Vários secretários têm recebido telefonemas de pessoas não identificadas com ameaças de represálias caso a auditoria resulte em incriminações. Alguns telefonemas dizem que é para mandarmos os auditores tirarem o pé do acelerador, diz o procurador jurídico da prefeitura, Gilberto Gonzaga. O diretor do Instituto de Previdência do Município (IPMC), Marco Aurélio Beck Lima, confirma as ameaças.
Por precaução, Beck Lima tirou da sede do IPMC alguns documentos importantes. O instituto está entre os primeiros órgãos auditados e há indícios de várias irregularidades. Embora haja reservas sobre o caso, no início da semana o carro do secretário de Administração, Élcio Zanatto, apresentou problema incomum: o capô abriu repentinamente, encobrindo-lhe a visão, o que poderia ter provocado um acidente. Investigação interna poderá cofirmar se houve mesmo sabotagem.
Segundo o procurador Gilberto Gonzaga, está sendo avaliado com o coordenador da auditoria, Márcio Roberto da Silva, a viabilidade da divulgação de resultados individuais à medida que a investigação em cada setor for concluída. Está enganado quem insinua que tudo terminará em pizza. Haverá divulgação pública da auditoria e, se necessário, ela será enviada ao Ministério Público, diz o procurador.
AFolha obteve informações sobre a situação do Instituto de Previdência do Município e que deverão constar do resultado da auditoria. O IPMC chegou a pagar 500 pessoas através de terceirização irregular.
Com a nova administração, não há mais nenhum terceirizado, apenas oito funcionários próprios. O órgão pagava aproximadamente R$ 140 mil para 346 pessoas que haviam sido aposentadas. O gasto pode ser reduzido em 33% porque foram retiradas vantagens indevidas e aumentos concedidos aleatoriamente a 23 aposentados.
Na Companhia Habitacional de Cascavel (Cohavel) foram emitidos cheques sem fundo e na Companhia Cascavelense de Transportes e Tráfego (CCTT) foi descoberto um furo de caixa de R$ 1 milhão relacionado a vales-transporte.


