Auditoria constata irregularidades no Filo
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terça-feira, 24 de junho de 2003
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Uma auditoria realizada na secretaria de Cultura de Londrina, nos anos de 1998 a 2000, apontou uma série de irregularidades em projetos que receberam verbas da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Agora, a Auditoria do Município pede o ressarcimento de quase R$ 350 mil aos cofres públicos.
Na auditoria, foram reprovados seis projetos que receberam verbas da Lei Municipal e da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. ''A maior irregularidade é a duplicidade nas prestações de contas. Notas foram utilizadas duas vezes. Isso indica que, se fosse um erro formal, deveriam sobrar recursos e o dinheiro deveria estar em caixa'', afirmou o auditor-chefe do município, Osvaldo de Lima.
De acordo Lima, dos projetos reprovados quatro foram propostos pelo Grupo de Teatro Núcleo I, que captou, ao todo, R$ 293,2 mil para diversas mostras de teatro que integraram a programação do Festival Internacional de Teatro de Londrina (Filo) entre 1998 e 2000. Na época, o grupo era promotor do festival junto da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o Núcleo I era promotor do festival. Hoje, não existe mais.
Segundo José Cláudio Rodrigues, que presidiu o Núcleo I de 1991 a 1999, os pagamentos da entidade ficavam sob responsabilidade do departamento de contabilidade da entidade. ''Eu nunca emiti um pagamento'', justificou. ''Não sabíamos das notas em duplicidade e em nenhum momento soubemos de irregularidades'', afirmou.
Maria Fernanda Pinto Coelho, que presidiu o Núcleo I em 2000, e que assinou o projeto ''Tradição de Odim'', de 1999, reprovado pela auditoria, também disse não ter conhecimento das irregularidades levantadas. Nesse projeto, a auditoria pediu a devolução de R$ 41,7 mil. ''A mostra aconteceu dentro do Filo. Foi desenvolvido pelo Filo. Eu sou a proponente do projeto e prestava serviços para o Filo'', disse Maria Fernanda. Segundo ela, só trabalhava no festival e não era responsável pela parte financeira.
Outro projeto que teve as contas reprovadas foi o ''3º Encontro de Projetos Cênicos'', de 1999, apresentado pelo ator Alexandre Simioni. As notas também foram emitidas em nome do Núcleo I. A auditoria pede o ressarcimento de R$ 18 mil. Apesar de constar como proponente, Simioni disse que não elaborou o projeto. ''Trabalhei na bilheteria do Filo em 1999 e pediram para dar o meu nome a um projeto. As pessoas da organização do Filo foram quem gerenciaram o projeto e fizeram tudo. Eu não tinha noção'', afirmou Simioni. Ele não soube dizer quem teria pedido para dar seu nome.
Outros dois projetos do Filo, que trazem como proponente a diretora Nitis Jacon, também estão sendo averiguados pela auditoria, que já constatou algumas irregularidades na prestação de contas. A Folha tentou entrar em contato com Nitis, mas ela está na Argentina. O auditor está aguardando a apresentação da defesa para concluir o relatório, que será encaminhado à Procuradoria do Município, Ministério Público e Ministério da Cultura.


