Auditoria apura as 212 contratações
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segunda-feira, 09 de junho de 1997
Edmara Michetti 
Milton Dória/Arquivo FolhaO mais convenienteO prefeito Antonio Belinati, que pediu auditoria na Comurb: Investigação será feita para tranquilidade de Cléber TóffoliA comissão de auditoria interna da Prefeitura vai iniciar hoje uma investigação na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) para saber se as 212 contratações feitas entre janeiro e abril na empresa são regulares. O trabalho será feito por três dos cinco integrantes da comissão, formada por funcionários de carreira.
O auditor interno e secretário-geral da Prefeitura, Kakunen Kyosen, afirmou ontem que o trabalho será feito na Comurb em geral, e centralizado nas contratações.
O resultado deve, segundo Kyosen, conter informações sobre quem é, onde está e o que faz cada contratado e se existem funcionários-fantasmas entre os 212. Se for constatada alguma anormalidade indicaremos no próprio laudo o que deve ser feito, disse Kyosen.
Na opinião do prefeito Antonio Belinati, o problema da Comurb foi sanado em grande parte com a demissão do grupo cuja contratação está sendo contestada pelo Ministério Público. Segundo ele, o aviso prévio dos novos funcionários da Comurb foi determinado ontem. O problema mais urgente foi resolvido, disse.
Convicto de que as contratações feitas pelo presidente demissionário da Comurb, Cléber Tóffoli, foram acertadas e necessárias, Belinati afirma ter optado pela abertura de sindicância por ser o mais conveniente. Essa auditoria será feita mais para tranquilidade do Cléber Tóffoli e sua equipe. Todas as auditorias feitas na Prefeitura são no sentido de tranquilizar quanto à total lisura de todos os atos do município.
O prefeito afirmou ainda que as auditorias feitas na Prefeitura têm caráter preventivo, já que a responsabilidade maior é perante o Tribunal de Contas. Todos os procedimentos passam pelo Tribunal. Se ele entender que uma contratação não é compatível, não aprova as contas, ele ressaltou.
Questionado sobre o excesso de pessoas contratadas já que, segundo informações do promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, a Grande Londrina fazia o mesmo serviço com 87 funcionários, Belinati respondeu que a empresa tem administração própria. Não sou especialista para dizer quantos são necessários para fazer o serviço, mas tenho que acreditar que cada setor da Prefeitura é administrado com o pé no chão.
Para Belinati, ter colocado o cargo à disposição foi um ato de grandeza de Cléber Tóffoli. Se não fosse por isso, poderia deixar o problema se transferir para a próxima administração da Comurb. O pedido mostra que ele não estava disposto a entrar em choque com o promotor. O prefeito garantiu no final da tarde de ontem que dentro de 48 horas terá o nome do novo presidente da Comurb. Segundo Belinati, ele e o vice-prefeito, Alex Canziani, estão analisando o perfil de várias pessoas para o cargo. São pessoas dignas e competentes que têm uma boa visão de Londrina. A Comurb é tão importante quanto toda a Prefeitura e por isso precisamos de alguém competente no sentido geral, afirmou. Até lá, Kakunen Kyosen responde pela função.
Em seis meses de administração, Cléber Tóffoli é o segundo secretário a colocar o cargo a disposição. O primeiro foi o presidente da Companhia de Habitação (Cohab), José Caetano Perry, que no final de março deixou o cargo por causa de uma Comissão Especial de Inquérito instaurada pela Câmara para apurar possíveis irregularidades no projeto-piloto entre a Cohab e a empresa Grande Piso, de Foz do Iguaçu, para a construção de 10 casas de fibrocimento na zona norte. Para Belinati, as auto-demissões são sinais da transparência de sua administração. Uma administração aberta sempre é criticada e elogiada. No caso do Cléber, há questionamentos, não foi um ato desonesto. O trabalho da CEI da Câmara foi paralisado no final de maio, sem resultados.


