Edson MazzettoO ex-prefeitoTolentino diz que
não é culpado pelas
irregularidadesO prefeito Salazar Barreiros (PPB) divulgou ontem a parte já concluída da auditoria que encomendou no início do ano a uma empresa especializada, de Curitiba, sobre negócios da administração anterior, do prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB). Foram apontadas graves irregularidades, já com quatro casos relatados ao Ministério Público ou à Procuradoria Geral do Estado por envolver recursos estaduais e federais para que haja responsabilizações. Salazar Barreiros estimou que o Município pode ter sofrido prejuízos de até R$ 8 milhões nos setores já auditados. ‘‘E nem chegamos à própria Prefeitura’’, observou, sugerindo que as irregularidades podem ser superiores. O restante da auditoria estará pronto nas próximas semanas. O prefeito anunciou os resultados em coletiva à Imprensa, e disse que ‘‘enganou-se quem pensou que tudo terminaria em pizza’’.
Na Companhia Habitacional de Cascavel (Cohavel) foi constatada diferença de caixa de R$ 1,42 milhão apenas em 96, entre dinheiro repassado pela Prefeitura e o que foi contabilizado. Cheques somando R$ 68 mil em nome da Cohavel foram depositados na conta do ex-diretor da Cohavel, João da Luz. Outra irregularidade está na compra de dois conjuntos residenciais (para repasse a mutuários) da Construtora Roraima.
Edson MazzettoInvestigaçãoO prefeito Salazar Barreiros anunciou ontem que a auditoria estará completa nas próximas semanas
O custo dos conjuntos equivaleu a R$ 700,00 o metro quadrado, quando no mercado o metro quadrado era pouco superior a R$ 300,00. Também foram feitas compras de R$ 1,87 milhão sem licitação no período de 1 ano e meio. O presidente da Cohavel era o vereador Oracildes Tavares (PMDB). No Instituto de Previdência do Município (IPMC), que era presidido pelo vereador Guerino Zotti (PMDB), R$ 270 mil em cheques foram parar na conta de Zotti e novamente na de João da Luz, entre outros.
Um cheque do IPMC de R$ 96 mil emitido para a Associação dos Servidores foi endossado pelo presidente do instituto e pela tesoureira Vera Lúcia Souto, e sacado diretamente no caixa da Prefeitura. O instituto também contratou em 96 700 funcionários sem concurso ou teste seletivo, demitindo-os logo após as eleições municipais, com o que gastou R$ 4,83 milhões. Na campanha houve denúncias de que muitos contratados eram cabos eleitorais.
Na Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Cascavel (Acesc), as despesas mensais que eram em média de R$ 40 mil. Nos últimos meses do ano, subiram para R$ 150 mil; com combustível, passaram de R$ 10 mil para R$ 30 mil; peças e serviços para carros, de R$ 50 mil para R$ 100 mil. Em uma só gráfica (a Panorama), em 95, foram gastos R$ 8,9 mil em impressos, e em 96 foram R$ 60 mil, sem licitação.
Envelopes e outros papéis impressos serão suficientes para 8,6 anos de trabalho, e guias para sepultamento para 4 anos (5 mil sepultamentos). O prefeito Salazar Barreiros anunciou também irregularidades na contratação de obras e serviços, como alambrado e sua colocação no Aeroporto Municipal. Uma metalúrgica (Álamo) recebeu R$ 25 mil, dinheiro repassado pelo Estado, e quem vai ao aeroporto não vê nenhum alambrado.
A Prefeitura contratou a empreiteira Pena Branca para executar 45,8 mil metros quadrados de pavimentação com pedras irregulares por R$ 239 mil. A empresa executou só 35 mil metros mas recebeu tudo e o Município deu plena quitação ao contrato. Novamente, o caso envolve recursos de convênio com o Estado. A mesma empreiteira foi contratada para ampliações e reformas no Colégio Polivalente, sem que as obras tenham sido completadas.
Além disto, a Prefeitura ainda concedeu ao final da administração anterior dois aditivos ao contrato com a empreiteira, no valor de R$ 106 mil. O acréscimo foi pago imediatamente após a solicitação pela empresa. Os R$ 106 mil foram tirados de uma conta de repasse do governo federal. No mês de março deste ano, o prefeito Salazar Barreiros foi obrigado a restituí-los, portanto o prejuízo para os cofres públicos foi dobrado.

mockup