Os administradores das duas creches sob suspeita negam as irregularidades. O presidente da creche do Ouro Branco, Valdemir Martins, explicou que atrasou a entrega da prestação de contas porque ''eram muitos documentos''. ''Pedi um prazo maior para a apresentação dos dados, mas o auditor disse que o prazo original já tinha vencido. Eu mesmo pedi intervenção na creche, porque estou saindo'', alegou.
Ele negou que o atraso nos salários e disse que deixou de recolher o FGTS e o INSS porque teria pedido insenção dos impostos à Caixa Econômica Federal, o que foi negado. ''Procurei a Caixa há 25 dias para regularizar a situação. E só levei o computador porque ele é de minha propriedade e, repito, estou saindo da creche.''
Já a diretora e fundadora da creche José Richa, Lourdes Euclides, protocolou ontem na Secretaria de Educação sua resposta ao relato do auditor Osvaldo Lima. ''Este auditor vai pagar caro pelo que está fazendo. Este é um trabalho de 21 anos, já atendemos 17 mil crianças, somos gente honesta'', afirmou. Lourdes contou que não houve irregularidade alguma e que a prestação de contas está anexa ao documento protocolado ontem.
''Nunca tivemos nenhum recurso do governo federal. Planejávamos usar os R$ 50 mil para ampliar a creche. Mas a planilha do município determinou que o dinheiro só poderia ser usado para custeio. Mandava que gastássemos R$ 20 mil com comida para dois meses, um absurdo. Com esta quantia, pagamos um sócio-benemérito, que nos ajuda deste 1988. Tenho notas provisórias registradas e provas de que nosso trabalho foi feito de forma limpa'', relatou Lourdes.

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