Audiência sobre acidente termina sem acordo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de outubro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Passados quase quatro meses da morte de Anderson Amaurílio da Silva, 21 anos, atropelado por um ônibus da Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) na saída do Terminal Urbano (região central) durante um protesto de estudantes contra o aumento da tarifa, foi realizada ontem a primeira audiência de conciliação entre a família do rapaz e a empresa, na 3 Vara Civel do Fórum de Londrina, que terminou sem acordo. Dentro de 10 dias, o juiz Rafael Vieira de Vasconcellos Pedroso, deverá se manifestar com relação ao pedido de tutela antecipada em favor da mãe do rapaz, Cleusa Aparecida da Silva, 48 anos. O advogado da família requer o pagamento de R$ 160,00 mensais para a mãe de Anderson até que seja julgada a ação por danos morais e materiais contra a empresa.
De acordo com o advogado da família, Dimas José de Oliveira, os defensores da TCGL não apresentaram proposta de acordo; em vez disso, entregaram uma contestação de 206 páginas e outras 400 páginas de provas. Mas, segundo Oliveira, não foram acatados nenhum dos dois argumentos preliminares feitos pela empresa, que solicitava a diminuição do valor da indenização de R$ 331 mil pedida pela família de Anderson e argumentava a ilegitimidade passiva, apontando que a culpa pelo acidente não teria sido da empresa. ''O juiz não acatou nenhuma das preliminares, manteve o valor da causa e determinou o prosseguimento da ação contra a TCGL'', destacou Oliveira.
A mãe de Anderson contou que está passando por dificuldades, já que o filho ajudava em casa com a aposentadoria que recebia por ser portador de deficiência. ''Dificuldade a gente sempre passou e agora mais ainda porque ele era quem me ajudava. Por isso, eu preciso e quero esse dinheiro'', declarou. Ela e o marido estão desempregados e cuidam de dois filhos menores. ''Perdi meu filho e perdi minha vida também, porque por mim não precisava mais viver'', falou, completando que as imagens sobre o acidente não saem da sua cabeça. ''Vejo tudo a toda hora'', comentou.
Anderson foi atropelado por um ônibus no dia 13 de junho deste ano, quando participava de um protesto de estudantes no Terminal Urbano contra o aumento da tarifa do transporte coletivo. Ele faleceu no hospital 11 dias depois do acidente. O reajuste da tarifa está sendo questionado na Justiça através de ação proposta pelo promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor, Miguel Jorge Sogayar. Ele sofreu uma derrota em primeira instância mas interpôs recurso junto ao Tribunal de Justiça do Estado e aguarda parecer da promotoria de 2º grau.
A assessoria de imprensa da TCGL informou que a empresa apresentou defesa argumentando ''que não se considera responsável pelo lamentável acidente que vitimou Anderson''.


