Uma audiência pública deve acontecer na próxima semana em Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho), para discutir o problema das terras ocupadas pelos índios guaranis da reserva Laranjinha há cerca de um mês, na fazenda Boa Vista. O clima de expectativa continua na reserva, onde 60 famílias de índios guaranis estão instaladas em casas e acampamentos. Na sexta-feira, a reportagem da Folha esteve no local e confirmou a contratação de jagunços pelos proprietários de terras, interessados em defender as áreas. Índios e jagunços fazem vigília todas as noites e ainda há risco de confronto. A Polícia Militar também está fazendo ronda no local.
  Em depoimento à reportagem, o sociólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antônio Norder, que esteve na reserva na semana retrasada, afirmou que os índios foram ameaçados de morte pela mãe de um dos proprietários de uma fazenda vizinha.
  Segundo o assessor Edilberto Tostes, que acompanha a ocupação da área desde o início, a intenção é evitar confrontos entre os fazendeiros e os índios. ‘‘Queremos justamente o contrário. As duas partes precisam de um entendimento para que a situação seja resolvida o mais rápido possível’’.
  Na semana passada, Tostes informou que funcionários da Fundação Nacional dos Índios (Funai), encarregados de enviar alimentos à reserva, foram até o local escoltados por soldados da Polícia Federal. ‘‘Havia a preocupação que os índios fizessem os funcionários de reféns, mas isso não vai acontecer. Os índios querem apenas que a questão seja resolvida’’, garantiu.
  Tostes informou ainda a intenção de realizar uma audiência pública na próxima semana entre os proprietários de terras e os índios, com a presença de representantes do Ministério Público e da antropóloga responsável pelo estudo que definiu a área pertencente aos índios guaranis. ‘‘Falta apenas definir a data, mas queremos resolver esse impasse, através de um entendimento’’.
  O processo para que a área seja devolvida aos índios está na Justiça desde maio do ano passado. O fim do impasse depende apenas de uma assinatura do Ministério da Justiça, que deverá devolver a terra aos índios.
  Os fazendeiros, que possuem documentos de posse das áreas deverão ser indenizados. A maioria é de pequenos produtores, donos de áreas de apenas dois hectares. Segundo Tostes, por lei, cada um desses proprietários têm direito a 18 hectares de terra e o mesmo vale para cada filho. ‘‘Eles vão acabar recebendo uma terra maior do que a que estão hoje’’.
  O assessor alega que um possível processo na Justiça pelos proprietários deve ser encaminhada ao governo estadual. ‘‘Foi o Estado que repassou uma terra pertencente aos índios a esses fazendeiros. O próprio estado tem que se responsabilizar pelo ato’’. disse.
  ‘‘Essa briga’’, reforça Tostes, ‘‘não é dos índios com os fazendeiros. O Estado tem que determinar um local para transferir os proprietários de terras, que também têm seus direitos’’. Tostes informou que áreas próximas à reserva podem ser negociadas com o Incra.

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