Audiência pública vai discutir antenas de celular
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sábado, 17 de março de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
A Prefeitura de Maringá formou anteontem um comissão para discutir em audiência pública os danos que podem ser provocados com a instalação de antenas de telefonia celular denominadas Estações Radiobase (ERBs). Segundo o procurador jurídico do município, Alaércio Cardoso, a audiência foi proposta pela Global Telecom depois que a prefeitura interditou a construção de duas torres da empresa. Em toda a cidade são 29 ERBs de três diferentes empresas, duas de telefonia móvel e uma fixa. O fato das empresas não compartilharem as torres provoca os excessos, lembra o procurador.
O assunto sobre os efeitos das radiações não-ionizantes emitidas pelas antenas é considerado polêmico. No ano passado, uma série de protestos obrigou a Câmara de Vereadores a criar uma lei municipal para proibir a instalação das antenas em áreas residenciais. A professora de bioquímica Universidade Estadual de Maringá (UEM), Jorgete Constantin, afirma que a população está sendo cobaia porque os estudos dos efeitos, entre eles o câncer, não estão concluídos. Só saberemos dos danos à saúde daqui a cinco ou 10 anos, diz.
Segundo o professor Nilson Benedito Lopes, especialista em radiações ionizantes da UEM, o objetivo é medir a quantidade de radiações emitidas pelas antenas. Já pedimos os equipamentos para as empresas mas até agora nenhuma nos forneceu para iniciarmos os trabalhos, reclama Lopes. Conforme Jorgete, que mora ao lado de uma ERB, os problemas com eletrodomésticos nas casas de pessoas que moram próximas de antenas são fatos incontestáveis.
A Global Telecom recorreu em processo administrativo na prefeitura contra a interdição das obras e anexou laudos como do Instituto Mauá de Tecnologia e da Associação Brasileira de Compatibilidade Eletromagnética, ambos de São Paulo, para provar que as ERBs não provocam danos. Para a empresa, a audiência pública será um espaço ideal de debates com a população sobre a polêmica de instalação das antenas. Além do recurso administrativo, a Global Telecom deve pedir na Justiça mandados de segurança para garantir a continuidade das obras. A empresa alega que obteve o alvará de construção antes da edição da lei municipal.


