Uma audiência pública realizada na Câmara ontem, reuniu vários grupos para a discussão sobre a construção da Usina Hidrelétrica de Mauá - empreendimento do Consórcio Cruzeiro do Sul (Copel+Eletrosul), que fica entre Telêmaco Borba e Ortigueira.
Segundo a promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, a audiência foi convocada pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) tendo em vista a preocupação diante dos resultados dos estudos feitos pelo Consórcio a respeito da qualidade da água com a implementação da hidrelética. ''Essa audiência visa esclarecer se Londrina corre o risco de ficar sem abastecimento de água e da qualidade da mesma para consumo'', disse Solange. Ainda segundo a promotora, o Ministério espera saber as garantias do Consórcio, já que o empreendimento está acontecendo sem que nenhum estudo tenha sido apresentado contestando as questões levantadas.
Os principais argumentos do Conselho, segundo o advogado Carlos Levy, é de que com a construção da usina o rio vai ficar com a água mais parada, o que contribui para acúmulo de sujeira e proliferação de algas, sem falar do alagamento de áreas e sítios arqueológicos, além de questões humanitárias como desalojamento de famílias ribeirinhas e comunidades indígenas. Ele levantou também incertezas com o desaparecimento de espécies em extinção, elevação do preço da água em decorrência da piora da qualidade e o resultado cumulativo da poluição nas pessoas que bebem essa água.
De acordo com o presidente do Consemma, Fernando de Barros, os conselheiros resolveram estudar os documentos técnicos apresentados pelo Consórcio e ficaram preocupados com os relatórios. ''A construção não foi tratada com a profundidade que deveria. Foi feita apenas uma coleta de água para análise e posterior conclusão, no período de quatro anos. A Sanepar compartilha com o Consemma a preocupação com os impactos e com a qualidade da água'', destacou.
No entanto, Sérgio Bahls, gerente geral da Sanepar - região metropolitana de Londrina, comentou que ''não podemos achar que o problema está só no barramento, mas também na poluição, que precisamos combater. Vejo a questão agrícola como uma situação preocupante e ninguém levantou essa discussão.'' Apesar disso, a Sanepar apresentou relatórios que falam do comprometimento da qualidade da água com a construção da Usina. Atualmente, a empresa possui sete pontos de monitoramento ao longo do Tibagi.
Sob vaias de protesto, Sérgio Lamy, superintendente geral do Consórcio, afirmou que Londrina não corre o risco de ter seu abastecimento interrompido. ''Existe ainda a previsão de mais oito pontos de monitoramento para a qualidade da água, além das medidas compensatórias''. Ele também questiona a afirmação de que a usina seria o único problema para a qualidade da água captada do rio: ''O reservatório não é o responsável e sim a grande carga de poluição'', completou.

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