O procurador da República, João Akira Omoto, de Londrina, disse que vai
solicitar ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a realização de nova audiência pública para que sejam esclarecidas as questões ambientais e a definição clara dos empregos diretos e indiretos proporcionados pelo projeto de repotenciação da Usina Termelétrica de Figueira (Utelfa), pela Copel.
Anteontem à noite, foi realizada em Figueira (125 km ao sul de Jacarezinho), a audiência pública para apresentação dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima). A audiência provocou confronto entre a comunidade e a Copel, favoráveis à obra, e as organizações não-governamentais (ONGs), contrárias à expansão da usina.
Também ocorreram protestos e solicitações de esclarecimentos dos representantes do Ministério Público Federal e Estadual junto à Copel sobre as condições de trabalho nas minas e geração efetiva de empregos diretos na termelétrica.
‘‘Isto aqui não é um circo’’, disse o procurador da República, antes de se retirar da audiência em protesto pelas manifestações, sob vaias e gritos da comunidade contrária a opiniões de promotores e ambientalistas. Ele disse que a comunidade não estava disposta a ouvir os argumentos técnicos. ‘‘Ocorreu uma preparação da população para apoiar a expansão independente da discussão técnica’’, lamentou.
A população de Figueira parou para acompanhar através de telões instalados no salão e no setor externo do Clube Cambuí a apresentação do EIA-RIMA elaborado pela empresa Baccarim Consultoria Ambiental e Lactec.
Antes do início da audiência, a Liga Ambiental, com sede em Curitiba, impetrou uma ação civil pública pedindo a concessão de liminares para suspensão da audiência e para que o (IAP) não emita o licenciamento para construção até que sejam apreciadas todas as questões ambientais. A liminar para suspensão não foi concedida e o pedido de avaliação das problemas ambientais está sendo analisado.
Um dos coordenadores do EIA-Rima, Alberto Baccarim, disse que as complementações exigidas pelo Ministério Público e pelas Ongs haviam sido realizadas em um segundo documento encaminhado para o IAP, mas que não havia sido repassadas para as entidades.
Em resposta às acusações de omissão do projeto, o superintendente-geral da Copel-Geração, Luiz Fernando Vieira, destacou que o empreendimento só será realizado se estiver de acordo com a legislação ambiental.
O secretário da Comissão Pró-Usina, em Figueira, Antônio Carlos de Carvalho, entregou um abaixo-assinado com cerca de 3,9 mil assinaturas para o IAP solicitando a liberação da licença de construção. De acordo com Carvalho, a comunidade convive há 50 anos com a Utelfa, ‘‘mas ainda não foram relatados problemas ambientais’’.
O presidente do IAP, Mário Sérgio Razera, disse que o órgão vai analisar todos as observações levantadas durante a audiência e encaminhar as sugestões e questionamentos ao empreendedor para que sejam feitas as complementações.

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