Um documento com assinaturas de cerca de 100 pessoas, algumas representando setores da sociedade civil, que participaram de uma reunião ontem de manhã no gabinete do prefeito Nedson Micheleti (PT), será entregue hoje à tarde para a procuradora Margaret Matos de Carvalho, em Curitiba.
De acordo com Nedson, o documento de apoio à Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), entidade responsável pelo trabalho dos adolescentes da Zona Azul, visa defender além da ‘‘integridade, a formação e futuro do adolescentes’’. Até ontem à tarde, no entanto, a procuradora se mantinha irredutível na recomendação da retirada dos menores da Epesmel das ruas, por considerar a atividade deles insalubre e perigosa. ‘‘Convocamos representantes da Epesmel e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para a reunião de amanhã (hoje), onde discutiremos alternativas para colocar os jovens em ambientes de trabalho protegido’’, declarou por telefone à Folha. A reunião está marcada para às 14 horas na sede da Procuradoria em Curitiba, e deverá discutir alternativas para resolver a polêmica.
Para a promotora da Vara da Infância e da Juventude de Londrina, Edina Maria Silva de Paula, a procuradora Margaret Carvalho teve uma atitude apressada, baseada somente em informações divulgadas na imprensa. Segundo reportagem publicada pela Folha no início da semana passada, os adolescentes são intimidados por assaltantes que agem na área central da cidade.
Conforme a promotora, a situação dos meninos da Espesmel, que trabalham dos 16 aos 18 anos, não tem nenhum indício de exploração e nem fere os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente. Afastá-los do trabalho, segundo Edina Maria, resolveria a preocupação da procuradora, mas criaria um problema maior, a falta de ocupação para os 222 meninos. ‘‘Cabeça vazia é oficina do capeta’’, disse, citando um ditado popular. Na opinião dela, retirar os adolescentes do trabalho formal significa encaminhá-los para servir de ‘‘boeing’’ nas mãos de traficantes.
Para a procuradora de Curitiba, as determinações da lei são claras e o ‘‘trabalho em vias públicas’’ está sendo combatido em todo o Estado. ‘‘Estamos tentando retirar até mesmo os vendedores de picolés. No caso de Londrina, em vez de pensar que estamos colocando 222 menores na rua, porque não dar emprego aos 222 pais que estão em dificuldade?’’, questionou Margaret, lembrando que a inclusão de menores (5% a 15% do quadro funcional) em empresas de médio e grande porte agora é obrigatória por lei, desde que haja cursos profissionalizantes na cidade.’’
O delegado regional do Trabalho, Celso Costa, afirmou que o trabalho desenvolvido pela Epesmel é tão exemplar que, para quem não conhece, ‘‘beira a utopia’’. Ele sugeriu que outros municípios sigam o exemplo da entidade. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, disse que muitos empresários ‘‘observam’’ a atuação dos adolescentes, com a finalidade de efetivá-los em outras funções, depois que eles se afastam da Epesmel. A medida urgente, segundo Hiraiwa e todas os presentes, seria oferecer mais segurança aos meninos, e também ao restante da comunidade. (Colaborou Emerson Dias)

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