Uma audiência preliminar para tentativa de conciliação realizada ontem no Juizado Especial Criminal terminou sem solução entre um enfermeiro do Hospital Universitário (HU) de Londrina e quatro residentes envolvidos na divulgação de mensagens ofensivas contra os funcionários, no episódio que ficou conhecido como Caso Orkut.
  As críticas foram feitas por um grupo de cerca de 20 residentes e ex-residentes no Orkut. O conteúdo das ‘‘conversas’’ vazou para os servidores do HU. Os envolvidos fizeram comentários ofensivos contra funcionários e pacientes. Usaram apelidos como ‘‘trolls’’, o que significaria ‘‘seres abomináveis, repugnantes e comedores de carne humana’’, ‘‘macaca de 15 arrobas’’, ‘‘orangotango’’, ‘‘bicha da noite’’, ‘‘traveco’’ e ‘‘prenhas nojentas.’’ As comunidades foram criadas em outubro de 2004 e caso se tornou público em maio de 2005.
  O enfermeiro Percival Vitorino Guimarães moveu uma ação penal privada (queixa-crime) contra quatro residentes que o teriam citado diretamente no site. No entanto, nem os advogados de Guimarães, nem os representantes dos residentes propuseram algum tipo de acordo. Como dois dos acusados não compareceram nem mandaram representante, o juiz João Antonio Demarchi deve designar nova audiência de instrução e julgamento. ‘‘Nós vamos localizar os endereços deles e encaminhar para a Justiça’’, explicou a advogada de Guimarães, Aline Fedato.
  O funcionário disse que vai manter a ação até as ‘‘últimas conseqüências.’’ ‘‘Estou representando mais de mil funcionários que foram desqualificados, que foram agredidos por essas mensagens. Mas acho que a justiça vem na hora certa. O que não pode é deixar esse caso passar em branco porque pode servir de mau exemplo’’, salientou Guimarães. Os advogados que compareceram à audiência não quiseram conversar com a imprensa.
  O caso também está sendo apurado pelas polícias Civil e Federal. O delegado José Arnaldo Martins Peron, do 1º Distrito Policial (DP), disse que ainda não teve acesso ao inquérito desde que assumiu o cargo.
  Já o delegado da Polícia Federal (PF), Pedro Paulo de Figueiredo, informou através da assessoria de imprensa que o inquérito está em fase de investigação. Cartas precatórias foram expedidas para ouvir o depoimento de médicos envolvidos que moram em São Paulo.
  A comissão de sindicância da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi concluída em janeiro e recomendou a abertura de processo disciplinar contra dez acusados: sete residentes, dois estudantes e um ex-residente que atualmente é professor temporário da instituição. Eles estão sujeitos a penalidades que variam de advertência verbal a expulsão.
  O processo disciplinar, que é presidido pela diretora do Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca), Maria das Graças Ferreira, será concluído na próxima quarta-feira, dia 17 de maio. Está atualmente na fase de depoimentos das testemunhas.

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