A população londrinense tem na próxima sexta-feira uma chance preciosa de se manifestar para tentar combater um problema que atinge a todos indistintamente e deixar de assistir a tudo de olhos, ouvidos e bocas fechados: uma audiência pública que ocorre a partir das 14 horas na Câmara Municipal para discutir e apontar propostas para enfrentar a violência envolvendo crianças e adolescentes no município.
A iniciativa partiu do Conselho Permanente dos Direitos Humanos do Paraná (Coped) em parceria com a Câmara Municipal. Ontem, os conselheiros do Coped, Paulo César Pedron e Maria de Lourdes Santa de Souza, destacaram que a cidade foi escolhida como ponto de partida ''porque os fatos que chegam (até à ONG) são muito sérios''. Boa parte dos relatos, indicou Pedron, indicam que o tráfico de drogas estaria por trás do problema.
De maneira geral, o conselheiro criticou a ausência de políticas públicas voltadas para o atendimento das crianças e dos adolescentes não só em Londrina mas no Paraná e nos demais Estados brasileiros. Para exemplificar, ele citou uma pesquisa feita nas unidades de internamento do Paraná que apontou que 96% dos meninos e meninas que cumpriam medidas de internamento se diziam usuários de entorpecentes. E um fator ainda mais preocupante é que a droga mais utilizada era o crack, o que aproxima o Paraná de realidades encontradas apenas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. ''Agora vocês me perguntam: existe algum tratamento? Não, não tem nenhum. Quando um adolescente fala que é usuário, ele está dizendo 'me ajuda', mas a gente não tem feito isso'', observou Pedron, lembrando que em todo o Paraná são cerca de 400 adolescentes em regime de internamento, sem tratamento de qualidade.
Segundo ele, foi para combater a inércia do Estado e da sociedade que o Coped propôs as audiências públicas ''propositivas'' para enfrentar a situação. ''Podemos construir modelos próprios (de assistência), mas o principal é respeito ao adolescente e encarar o problema como prioridade'', destacou. Uma das medidas que deverão ser adotadas é a implantação do programa federal de proteção ao adolescente em risco de morte no município. A dificuldade é que faltam recursos para o programa ser eficiente.

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