Audiência discute trabalho infantil na coleta de recicláveis
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de agosto de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Procuradoria Regional do Trabalho e o Fórum Lixo e Cidadania realizaram ontem, na Câmara Municipal de Curitiba, uma audiência pública para discutir a erradicação do trabalho infantil do mercado informal de coleta de materiais recicláveis da Capital. O foco principal da discussão acabou sendo a regulamentação da concessão do gerencimento de resíduos da Região Metropolitana de Curitiba, cujo projeto está tramitando na Câmara.
Os participantes entre eles vereadores e representantes de associações de catadores de papel defenderam que no edital de licitação do lixo a situação dos catadores de papel deve estar bem definida para que esses trabalhadores não sejam prejudicados com a implantação do novo sistema de coleta de resíduos proposto para Curitiba e outros oito municípios da região metropolitana.
A procuradora do Trabalho, Margaret Matos de Carvalho, entende que para solucionar o problema das crianças e adolescentes, que acabam acompanhando os pais no serviço de coleta de lixo reciclável, é preciso antes apresentar ''soluções concretas'' para melhorar as condições de trabalho e de renda do catador de papel. O último levantamento da Secretaria Municipal da Criança, informa Margaret, aponta que cerca de 400 crianças e adolescentes trabalham na coleta de lixo.
Uma comissão envolvendo representantes do Fórum Lixo e Cidadania e da Câmara foi constituída para discutir a questão do edital do consórcio do lixo e garantir que os ''carrinheiros'' sejam beneficiados. Segundo Margaret, a comissão irá negociar com a Prefeitura de Curitiba a possibilidade da doação de terrenos e galpões para que as associações de catadores de papel tenham local apropriado para fazer a separação e armazenagem do lixo e comercializar diretamente às empresas recicladoras, assegurando melhor preço pelo material.


