Audiência discute fechamento de indústria
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terça-feira, 12 de novembro de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão A Câmara de Campo Mourão vai realizar uma audiência pública para debater os problemas que levaram ao fechamento de uma indústria de óleo de caroço de algodão, com a demissão de 188 trabalhadores. A empresa foi desativada semana passada porque não conseguiu a licença ambiental para continuar em operação.
Representantes da Algodoeira Limoeirense (Algolim), dona da fábrica, e da Cooperativa Agropecuária Mista do Brasil (Coopermibra), que havia arrendado a indústria, já se reuniram com os funcionários demitidos e lideranças da cidade para explicar os motivos do fechamento.
Segundo o presidente da Câmara, Izael Skowronski (PPS), a audiência, que ainda não tem data marcada, reunirá diretores da Algolim e da Coopermibra, Ministério Público e Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Os vereadores também pedirão ao MP um encontro com moradores vizinhos à empresa para verificar se existe a poluição detectada por órgãos ambientais.
O IAP indeferiu o pedido de licença alegando que a indústria fica em área residencial e que não há como impedir que a poluição atinja vizinhos. Paulo Sérgio Stanziola, presidente da Associação de Moradores do Lar Paraná, onde fica a fábrica, diz que vai fazer um abaixo-assinado em defesa da indústria.
Os problemas com a empresa começaram no mês passado, quando o IAP emitiu duas multas que somaram R$ 80 mil por poluição do ar e do rio Quilômetro 119. As multas provocaram a suspensão de um turno de trabalho e as 80 primeiras demissões. As outras 108 ocorreram na semana passada, com a decisão de paralisar as atividades.
O presidente da Algolim, Luiz Duarte, garante que o fechamento da empresa é temporário. ''Vamos recorrer à Justiça para conseguir a licença ambiental'', diz. A indústria estava em operação há um ano e quatro meses. Já havia ficado fechada por 10 anos, por problemas ambientais, e retomou a produção com alvará provisório.
O prefeito Tauillo Tezelli (PPS) é favorável ao empreendimento e emitiu alvará provisório acreditando que os problemas de poluição seriam resolvidos. ''Mas as questões ambientais não dependem da prefeitura. É uma pena, porque sabemos da dificuldade em criar 180 novos empregos'', comenta.


