Curitiba - Uma audiência pública, realizada na manhã de ontem no plenário da Assembléia Legislativa do Paraná, discutiu o problema da segurança em agências dos Correios do Estado. Representantes da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), do Sindicato do Trabalhadores nos Correiros do Paraná (Sintcom-PR) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) estiveram reunidos para debater formas de conter o avanço da violência em agências dos correios.
O debate foi motivado pelo projeto de lei 856/07, de autoria do deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que visa tornar obrigatória a instalação de portas eletrônicas com detector de metais em todas as agências dos Correios que ofereçam serviços de banco.
Enquanto os funcionários dos Correios, representados pelo Sintcom-PR, estão assustados com a crescente onda de violência, a direção da empresa diz que a medida não é necessária. Entre 2003 e 2006, o número de assaltos no Paraná cresceu de 12 para 86. Os roubos aumentaram depois que foi instalado nas agências o chamado Banco Postal, serviço operado pelos Correios em parceria com o Banco Bradesco desde 2003 e que oferece ao público a possibilidade de realizar operações bancárias, como depósitos, saques e transferências. Com mais dinheiro circulando nas agências, os assaltos cresceram e justificariam a instalação das portas eletrônicas, argumenta o deputado, em seu projeto.
Para Areovaldo Figueredo, diretor regional adjunto dos Correios, a instalação de portas eletrônicas não resolveria o problema. Além disso, ressalta, em agências menores, não há essa necessidade. ''As portas fazem parte de um dos recursos. Não podemos acreditar que é a única solução. Devemos encontrar a solução certa para cada agência'', defende. Segundo Figueredo, o custo para instalar portas eletrônicas em todas as 378 agências do Estado ficaria em R$ 6 milhões e seria pago com dinheiro da União.
Outra reinvindicação do Sindicato dos Trabalhadores é a instalação de câmeras de vídeo e a presença de vigilantes armados. O pedido de reforço de segurança foi feito pelo secretário-geral do Sintcom-PR, Nilson Rodrigues dos Santos. ''Queremos que as agências tenham um sistema de segurança semelhante ao dos bancos'', pediu.
O representante do Ministério Público do Trabalho, o procurador Ricardo Bruel da Silveira, diz que o MPT recebeu, em 2006, uma ação do sindicato alertando para os riscos cada vez maiores nas agências. O MPT realizou uma investigação do caso e comprovou a necessidade do aumento da segurança. ''O Ministério Público já ajuizou uma ação questionado a segurança nas agências. A conclusão é de que ela é ineficiente'', diz Silveira.
Atualmente, apenas seis agências têm a porta girtória. Estão localizadas em Curitiba, Região Metropolitana e Foz do Iguaçu. A agência de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foi alvo de nove assaltos entre a instituição do Banco Postal e a instalação da porta eletrônico. Depois disso, nunca mais teve problemas de violência.

mockup