O Ministério Público do Trabalho no Paraná realizou ontem em Maringá uma audiência pública para debater a jornada dos cortadores de cana no Estado, que têm uma folga a cada cinco dias trabalhados. No entender do MP, a jornada 5 por 1 é ‘‘ilegal e inconstitucional’’, porque o trabalhador só descansa aos domingos a cada sete semanas. ‘‘O sistema é desumano, mas a Justiça não abre mão porque a jornada foi negociada entre patrões e empregados’’, disse à Folha o advogado Alberto Abrão Vagner da Rocha, membro da Comissão Nacional dos Direitos Humanos.
A ‘‘briga’’ entre a Procuradoria Regional do Trabalho e as usinas está na Justiça. Os patrões venceram em primeira instância, mas o MP recorreu. ‘‘A posição da Justiça é inflexível porque a jornada está prevista na convenção coletiva’’, lamentou Rocha. Ele lembrou que apesar de acertada entre as partes, a falta de folga aos domingos ‘‘fere os direitos humanos do trabalhador’’.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Maringá, Paulino de Carli, concordou que a jornada ‘‘não é boa’’, mas tem receio da substituição dos cortadores por máquinas. ‘‘A situação é delicada, e se bater o pé as empresas compram colheitadeiras’’, avisou. O superintendente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), José Adriano Dias da Silva, disse que as 28 usinas do Estado não podem parar e dependem do corte da cana durante toda a semana para manter as atividades. As usinas empregam 9 mil trabalhadores na área industrial e mais de 65 mil no campo.

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