Uma audiência pública hoje às 9 horas na Câmara discute a situação da frente de trabalho da Prefeitura de Londrina. O objetivo é encontrar alternativas à proposta apresentada pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) na última segunda-feira, de demissão gradual dos 1.951 trabalhadores nos próximos três anos. Devem participar representantes de associações de classe e de bairros, sindicatos, administração municipal, paróquias e pastorais, vereadores e advogados.
Os integrantes da frente de trabalho prometem comparecer em massa à audiência. ‘‘Estamos mobilizando o pessoal para reivindicar nossos direitos’’, afirmou Marinalva dos Santos Marques, telefonista da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) há quatro anos. A coordenadora de uma comissão dos trabalhadores, Alzira Lopes Ribeiro, disse que pelo menos duas propostas devem ser debatidas na audiência. ‘‘A primeira é procurar uma brecha na lei para regularizar a frente. Se isso não for possível, e as demissões acontecerem, vamos lutar por indenização. Já existem advogados interessados em entrar com uma ação coletiva de indenização contra a prefeitura’’, informou. A possibilidade de greve também é admitida. ‘‘Queremos sair da audiência com propostas verdadeiras e viáveis, mas a paralisação ainda não foi descartada se acontecerem demissões em massa’’, declarou Alzira.
Outros setores da comunidade já se preocupam com o assunto. A subseção de Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deve designar na próxima terça-feira três advogados para elaborarem um parecer sobre a frente de trabalho. ‘‘É uma questão que tem que ser muito estudada, queremos verificar se a forma de extinção que está sendo adotada é a melhor ou não. Também precisamos conhecer as soluções encontradas por outros municípios. De qualquer maneira, a lei impede o ingresso no serviço público sem concurso’’, disse o presidente da OAB, Lauro Zanetti.
O arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, defende o diálogo entre as partes. Integrantes da frente de trabalho estiveram durante a semana com o arcebispo para pedir seu apoio. ‘‘Escutei o quadro e telefonei para o Nedson (prefeito de Londrina), que disse que está sendo intimado pela lei. É um assunto fortemente jurídico. O ângulo que a gente entra é de criar ambiente para o diálogo’’, afirmou.

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