Da Sucursal
Ao contrário do que ocorreu com a discussão da implantação da fábrica da Renault, um clima de tranquilidade marcou a audiência pública realizada anteontem, em São José dos Pinhais, para apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) relativo à montadora da Audi/Volkswagen. Entidades ambientalistas e de moradores locais concordaram que o impacto ambiental causado pela fábrica deverá ser pequeno. Mesmo assim, ficaram dúvidas que a empresa deverá resolver nos próximos dias.
A audiência, realizada no distrito de Campo Largo da Roseira, reuniu cerca de 400 pessoas. O EIA foi apresentado por técnicos da Consultoria em Meio Ambiente (Cema), empresa contratada pela Audi/VW.
A montadora alemã será instalada numa área de 2 milhões de metros quadrados que, segundo o EIA, não é de proteção de mananciais. Mas o promotor do Meio Ambiente, Saint-Clair Santos, levantou dúvidas sobre esse aspecto, que deverão ser esclarecidas.
Segundo o estudo, são ‘‘virtualmente ausentes’’ a possibilidade de liberação de gases perigosos na atmosfera, a contaminação do ar por material particulado e também a contaminação do solo e das águas superficiais e subterrâneas por metais e outras substâncias nocivas ao meio ambiente.
O estudo diz que a fábrica terá equipamentos de última geração para filtragem e lavagem de gases e que utilizará produtos capazes de garantir a manutenção da qualidade do ar. Além disso, será construída pela Sanepar uma unidade de tratamento de efluentes a 500 metros da fábrica.
‘‘As emissões de água e ar declaradas pela empresa estão compatíveis com a legislação brasileira e internacional’’, disse José Álvaro Carneiro, do Fórum das Entidades Ambientalistas da Região Metropolitana. Segundo ele, uma das preocupações do fórum é conseguir que a empresa se comprometa a fazer um auto-monitoramento sistemático desses índices. A entidade também quer um estudo sobre o impacto ambiental global do distrito industrial de São José, que, além de duas montadoras, deverá abrigar 30 empresas de auto-peças.
Para Carneiro, o lado positivo da audiência foi a forma transparente com que a Audi/VW tratou o assunto: ‘‘A Audi é representante de um capitalismo moderno, que não nega a realidade’’.
O Fórum pediu que uma nova audiência pública seja marcada, para esclarecer as dúvidas pendentes. Mas o diretor de controle ambiental do Instituto Ambiental do Paraná, Mário Sérgio Rasera, disse que não deverá haver novas audiências. Segundo ele, a licença prévia para que a fábrica da Audi se instale pode sair dentro de 15 a 30 dias.

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