Atuação de médico causa polêmica em Piraí do Sul
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Giovani Ferreira 
Ponta Grossa
O comportamento do médico Randolt Alberto Huk vem gerando polêmica e contrariando parte da população do pequeno município de Piraí do Sul, a 70 quilômetros de Ponta Grossa. Algumas pessoas estão acusando o médico de atender mal os pacientes mais carentes e também de assumir uma postura grosseira e discriminatória como diretor da Fundação Municipal de Saúde de Piraí do Sul.
O último caso envolvendo o médico terminou com a morte de uma pessoa e foi parar na polícia. A dona de casa Maria de Jesus da Silva Moreira registrou queixa na Delegacia da Polícia Civil de Piraí do Sul, acusando Randolt Huk de dificultar o atendimento de seu filho, José Reginaldo Moreira, 26 anos, na madrugada da última segunda-feira.
Reginaldo sofreu um acidente de trabalho e foi encaminhado ao hospital de Piraí do Sul. Como seu estado era muito grave, depois de receber os primeiros socorros ele precisava ser encaminhado a um hospital em Ponta Grossa. Quando já estava dentro da ambulância, entrou em cena o médico Randolt. Segundo Maria Moreira, mãe de Reginaldo, o médico tentou impedir a remoção do paciente, alegando que ele já estava morto.
Maria explica que, numa atitude que julgou discriminatória, o médico teria dito que pobre tinha que morrer mesmo, e que para entrar em um hospital em Ponta Grossa eles precisariam ter muito carvão, referindo-se à situação financeira da família do paciente. O comportamento do médico, descrito pela mãe de Reginaldo, causou revolta na família e indignação entre a população de Piraí do Sul.
Segundo Maria Moreira, depois de pelo menos duas horas de discussão o médico acabou liberando a ambulância. Reginaldo chegou a ser operado em Ponta Grossa, mas faleceu em seguida. O sepultamento ocorreu na manhã de terça-feira, no Cemitério Municipal de Piraí do Sul. Os familiares de Reginaldo questionam agora a ética do médico Randolt. No entender da mãe de Reginaldo, independente do quadro clínico do paciente, o dever do médico é tentar todos os recursos para salvar uma vida.
Procurado para comentar as acusações, o médico Randolt Huk não foi encontrado pela Folha. Plínio Queiróz, apesar de ser o diretor administrativo do hospital, preferiu não se manifestar, alegando apenas que não estava envolvido no caso.


