Atropelamentos fazem mais vítimas
Lino Ramos
Especial para a Folha
A Companhia de Trânsito da Polícia Militar registrou quatro atropelamentos somente neste final de semana, mostrando a gravidade do conflito entre veículos e pedestres em Londrina. No sábado, por volta das 8h30, a aposentada Maria Luiza da Silva Felssner, de 64 anos, foi atingida por uma carreta quando tentava atravessar a Rua Paulo Lotz, no Jardim Monte Belo (zona sul). O motorista do caminhão fugiu do local sem prestar socorro. Maria Luiza foi atendida pelo Siate mas não resistiu aos ferimentos e morreu dentro da ambulância.
No mês de junho deste ano o Siate atendeu 41 atropelamentos, cinco a menos que no mesmo período do ano passado. Mas neste primeiro semestre ocorreram 221 atropelamentos contra 218 nos seis primeiros meses de 98.
Segundo o médico do Siate Marco Antonio Buges, o primeiro impacto sofrido pela vítima de um atropelamento é provocado pelo pára-choque. As primeiras lesões atingem a perna e a bacia. Na sequência o capô e o pára-brisa irão provocar lesões no tórax e no crânio. Quando vai ao chão, a vítima sofre ferimentos em pés, mãos e na cabeça.
O impacto em um atropelado é semelhante ao trauma sofrido por quem despenca de um prédio. O atropelamento por um veículo a 150 km/h é semelhante a quem cai de noventa metros de altura. Ser atropelado a 25 km/h é o mesmo que despencar em queda livre de quatro metros. Entre os pacientes vítimas de acidentes, geralmente os mais graves são os atropelados, explica Buges.
O médico lembra que o único trecho onde o motorista pode andar a 80 km/h em Londrina é na Avenida Dez de Dezembro, entre o Terminal Rodoviária e o Pontilhão da Avenida JK. Porém a velocidade é o principal fator de lesões nos acidentes atendidos pelo Siate. O comandante da Companhia de Trânsito da PM Sérgio Dalbem entende que a conscientização pode ser uma alternativa a esse tipo de acidente.
O artigo 214 do Código de Trânsito Brasileiro prevê infração gravíssima para o motorista que não der preferência ao pedestre e ao veículo motorizado que estiver sobre a faixa de segurança. A penalidade é a perda de sete pontos na carteira de habilitação e multa de R$ 175,86. Só o fato do cidadão buzinar já configura a multa, pois ele está forçando o pedestre a atravessar a via, explica o comandante.
O mesmo artigo também prevê infração grave com a perda de cinco pontos e multa de R$ 117,24 para o motorista que não respeitar o pedestre que estiver fora da faixa. Já o artigo 254 do Código prevê multa de R$ 24,42 para o pedestre que não respeitar a sinalização.
Mas Dalbem alega que essa medida não será colocada em prática tão cedo. O Contran ainda não regulamentou o formulário para multar o pedestre. Para isso também seria necessário melhorar a sinalização de trânsito em todos os bairros, a exemplo do centro da cidade, argumenta. Sérgio Dalben lembra que às vezes o PM é maltratado ao chamar a atenção do pedestre.
De janeiro a 5 de julho deste ano, 282 pessoas, vítimas de acidentes de trânsito, passaram pelo Instituto Médico-Legal de Londrina (incluindo vítimas fatais e com lesões corporais). Destas, 73 foram atropeladas, 73 foram vítimas de colisões e 136 vítimas de capotamento e outros tipos de acidentes de trânsito. Em 98, no mesmo período, o IML somou 226 vítimas (fatais ou com lesões corporais), sendo 78 atropeladas, 88 vítimas de colisões e 60 capotamento e outros tipos.
Segundo o chefe do IML de Londrina, Antonio Carlos Queiroz, 90% das pessoas que morrem em acidente de trânsito apresentam resultado positivo de alcoolimia, ou seja, apresentam sinais de álcool no sangue.





