Desde que o governo do Estado duplicou a Avenida Carlos João Strass e mudou a rotatória da Avenida Dez de Dezembro, os moradores do Jardim Ideal (Zona Leste) não têm mais sossego. Para encurtar caminho, motoristas trafegam por dentro do bairro, que é acessado pela Avenida Brasília, na altura do semáforo do Grêmio Recreativo e Literário Londrinense.
O cruzamento entre as ruas Tremembés e Ceará, onde fica a Escola Municipal Carlos Kraemer, é o ponto crítico, segundo os comerciantes do bairro. Eles realizaram uma assembléia no último dia 18 de junho para discutir, entre outros assuntos, segurança e sinalização no bairro.
Morador do Ideal há apenas cinco meses, o auxiliar de topografia Deoclideo Emídio de Farias perdeu as contas de quantos acidentes já presenciou em frente ao colégio. Ele calcula que pelo menos 50 carros cruzam o local por minuto, diariamente.
''O ideal seria que uma das ruas tivesse mão única para diminuir o número de carros'', sugeriu Farias, assinalando que os piores horários são ao meio-dia e às 17 horas, quando as crianças entram e saem da escola. ''Outro dia, um ônibus quase passou por cima de uma moça que tinha ido buscar o filho na escola'', recordou o morador, avisando que muitos motoristas e, principalmente, motociclistas não respeitam as leis de trânsito.
O comerciante Durval Liutti vive no bairro há mais de 30 anos, e desde que os motoristas começaram a usar a Rua Tremembés para acessar a Dez de Dezembro, ele presencia acidentes no viaduto da Rua Bauxita, apelidado por ele de viaduto camelo por causa das imperfeições na construção.
''Difícil a semana que não dá dois, três acidentes'', declarou Liutti. Ele contou que, sentado na calçada do depósito de materiais de construção da família, chegou a contar mais de 30 carros descendo o viaduto num minuto, ''sempre em alta velocidade''.
''Sou sozinho. Aqui embaixo não tem ninguém para reclamar e os vizinhos (do cemitério) não podem falar porque estão mortos'', disse o comerciante, que já conversou diversas vezes com a chefia do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) nos últimos dois meses e ainda aguarda uma solução.
''Eles prometeram fazer algo, mas me perguntaram o que deveria ser feito. Eu entendo de material de construção e acho que os assuntos da cidade são da competência deles'', argumenta Liutti, lembrando do último grande acidente entre as ruas Tremembés e Bauxita, há uma semana. ''Vieram quatro carros do Siate para socorrer duas moças que foram atropeladas e as pessoas que estavam no carro também se machucaram.''
Conforme a numeração da Rua Tremembés cresce, aumenta também o número de acidentes de trânsito. No cruzamento com o Cemitério Parque Anchieta, diversas pessoas já foram atropeladas em decorrência da falta de sinalização.
O casal Carlos Alberto e Graciela Brazão vive há sete anos no bairro, onde são donos de uma casa de carnes. Eles já cansaram de presenciar atropelamentos em frente ao açougue. ''Ninguém respeita a sinalização e, por causa dos muitos caminhões que passam por aqui, as ruas estão todas esburacadas'', revelou Graciela.
''Há muitos anos disseram que iam colocar lombada ou semáforo, chegaram a fazer a medição, mas nada foi feito'', completou Brazão, revelando que as clientes mais idosas são as que mais sofrem com o trânsito pesado. ''Elas têm medo de atravessar a rua sozinhas e a gente tem de pegar na mão delas para atravessar.''
''Leva uns dez minutos para atravessar a rua'', lamentou Graciela, lembrando que o pai dela quase foi atropelado por uma caminhonete em frente ao açougue. ''O negócio é colocar semáforo'', opinou Brazão.
Para o comerciante Moisés dos Santos, que vive há 24 anos no Jardim Ideal, o problema é a falta de sinalização adequada, já que muitos motoristas e motociclistas não conhecem a preferencial das ruas. ''Trafegar pelo viaduto é uma aventura, aquilo não é um cruzamento e, sim, um confronto de veículos.'' Para ele, falta administração.
Junto com outros comerciantes do bairro, ele montou uma chapa para concorrer à eleição da associação de moradores. ''Se formos eleitos, queremos abrir o cruzamento da Rua Pedra Verde com a Rua Mangaba para escoar o trânsito, e conseguir com os deputados a abertura da Rua Santa Mônica para ter acesso ao Contorno Norte, quando ficar pronto.''
O gerente de fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, explicou que qualquer intervenção na sinalização de trânsito na região deve ser feita pelo Ippul. ''Mas, na próxima semana, independentemente do Ippul, o pessoal do sistema viário da CMTU irá verificar os três cruzamentos mais perigosos do bairro'', prometeu Grotti.

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