As estatísticas não enganam e revelam um dado preocupante. Enquanto a população acima de 60 anos aumenta consideravelmente em todo o país, a frota de veículos também acompanha esse crescimento.
Em Londrina, a população estimada em mais de 515 mil habitantes tem uma parcela de 12% representada por idosos e a frota de veículos, segundo o registro do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) até fevereiro deste ano, já soma mais de 337 mil veículos (entre caminhões, motocicletas, etc). A tendência é que esses números se elevem a cada ano.
O fato preocupante é que essa combinação denota uma realidade que tem sido noticiada com frequência: os atropelamentos envolvendo vítimas com mais de 60 anos. Segundo estatísticas do Corpo de Bombeiros de Londrina, de janeiro até ontem foram atendidas 112 vítimas de atropelamento, sendo quatro de 60 a 64 anos, nove de 65 a 69 anos e 15 acima de 70 anos.
Na terça-feira, um homem de 87 anos morreu ao ser atropelado na Avenida Higienópolis (Região Central). Antônio Maria Escudeller foi socorrido e encaminhado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu horas depois.
Ontem pela manhã, um outro atropelamento vitimou um pedestre de 73 anos. Kuniaki Yonekura sofreu cortes na cabeça e trauma de punho, ao ser atingido por um veículo enquanto atravessava a Rua João 23, esquina com Rua Jonatas Serrano, na zona oeste.
"Ao considerar as vítimas acima de 60 anos, a avaliação no local do acidente com certeza inspira mais cuidado e cautela. Além disso, essa vítima terá que ser avaliada com frequência, pois é comum o idoso se apresentar um quadro estável no primeiro momento, mas depois ter complicações", afirma o médico Sérgio Canavese, que atua no Samu desde a implantação do serviço no município, em 2004.

Reflexos
De acordo com o médico, uma pessoa acima de 60 anos apresenta uma perda de reflexos, pela própria condição física. "O idoso tem uma fragilidade na estrutura esquelética e uma redução na massa muscular, portanto, apresenta mais complicações diante de uma situação de trauma", explica.
Ainda segundo Canavese, estudos revelam que os idosos têm uma resposta 40% menor que uma pessoa com idade inferior a 60 anos. "Outro ponto a ser considerado é o comportamento no trânsito. O idoso, como pedestre, acredita muito que o condutor está tendo uma visão ampla dele e acha que sua travessia será respeitada. E, por outro lado, muitos motoristas não respeitam as regras. Cerca de 70% dos acidentes de trânsito que atendemos são provocados por excesso de velocidade ou pela falta de respeito pela preferencial ou semáforo", comenta.

Faixa
Sabendo que os pedestres também têm uma parcela de responsabilidade ao transitar pelas vias, principalmente as de maior movimento, o aposentado Rubens Rossignholo, de 73 anos, garante que toma todo cuidado possível. "Antes de atravessar, olho para os dois lados e só vou em frente quando tenho certeza de que é seguro", comenta ele, que havia descido do ônibus na Avenida Leste-Oeste (Região Central) e não utilizou a faixa de pedestres, que fica cerca de 200 metros de distância do ponto.
"É um pouquinho longe e eu não podia perder o horário de marcar consulta", justifica Rossignholo, ao se referir ao atendimento do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar).
Morador da Rua Araguaia, uma das vias mais movimentadas da Vila Nova (Região Central), Olavo Trevisan, de 73 anos, diz que o pedestre idoso não pode ter pressa. "Tem que ficar atento, principalmente com motoqueiros. Eu só ando a pé e só atravesso a rua quando está tranquilo nos dois sentidos", reforça.
Já a dona de casa Marilena Souza dos Santos, de 58 anos, prefere sair de casa só quando tem companhia. "Eu não gosto de andar sozinha e tenho medo do trânsito, que está cada vez pior. Nem na faixa de pedestre eu me arrisco. Só atravesso quando vejo que todos os carros pararam", diz.

Fique atento:
Atravesse sempre na faixa de pedestres, mas aguarde a parada total do veículo para seguir em frente

Ao atravessar, certifique-se que o motorista o avistou

Aguarde sempre na calçada para atravessar

Atravesse sempre em linha reta

Nunca corra durante a travessia para evitar quedas

Os idosos com maior dificuldade de locomoção devem evitar sair de casa sozinhos

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