Atropelamentos de crianças são perto de casa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A maior parte dos atropelamentos acontece próximo à residência, com meninos de sete anos em média, no fim de tarde dos dias de semana. A descoberta foi feita pelo cirurgião pediátrico Marcelo Ribas, em sua tese de mestrado para a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Outras pesquisas mostram que a principal causa de morte entre crianças de um a 14 anos, sendo 40% dos casos, é o acidente de trânsito.
Vinte e sete crianças já morreram no trânsito este ano somente no Paraná. No ano passado foram 57 mortes e 1.481 feridos. Os números são referentes a pessoas de um a 14 anos vítimas de atropelamento ou envolvidas em acidentes de trânsito. Pesquisas realizadas em Curitiba indicam que, para cada morte, quatro ou cinco crianças ficam com alguma sequela.
Os dados mostram uma dura realidade que tem se mantido nos últimos anos. Para conscientizar os adultos, especialmente pais e responsáveis, sobre a fragilidade das maiores vítimas da imprudência dos motoristas, começa hoje a Semana Nacional de Trânsito. Com o tema ''A Criança no Trânsito'', ações, que incluem blitze nas escolas, palestras e um espaço em um shopping center para atendimento aos motoristas, vão até o dia 25 deste mês.
Ribas apurou também as causas de seu levantamento. ''Os meninos são mais soltos para andar nas ruas, mas ainda não têm maturidade, por isso são as maiores vítimas. O horário (final de tarde) reflete o retorno da escola e a maioria dos casos acontece na periferia, onde os pequenos têm menos supervisão de adultos'', explica.
Ribas conta que, quando realizou o estudo, Curitiba registrava uma média de 30 atropelamentos com mortes de crianças ao ano. Mas o número de vítimas com lesões permanentes pode chegar a 150. ''E, nas crianças que ficam com sequelas do acidente, os danos atingem toda família. Muitas vezes um dos pais precisa deixar o emprego para cuidar do filho, ou seja, o custo social é muito alto'', conclui. No Brasil, 1,2 mil crianças morrem atropeladas ao ano e 17 mil são hospitalizadas.
Velocidade
Angelina Coutinho leva as duas filhas e uma sobrinha à escola localizada em uma rua movimentada da Capital e depois busca as meninas, no fim da tarde. Segundo ela, a atenção com as menores - de 7 e 8 anos - tem que ser constante. ''Não tem jeito, se a gente se distrai um pouco, elas saem correndo, se metem no meio dos carros. Tem que segurar mesmo. E os motoristas não colaboram. Mesmo em frente à escola eles não param e muitas vezes nem diminuem a velocidade'', conta.


